Extra! Extra! Cabelicidio no interior

Extra! Extra! Cabelicidio no interior da Italia!

L.D., 26 anos, extra-comunitaria residente em Santa Maria degli Angeli, situada na Umbria, o coraçao verde da Italia, foi vitima ontem de um cabelicidio cometido por uma cabeleireira de cabelos cor-de-rosa, cujo salao estah localizado exatamente em frente à casa da vitima, e se chama Giusy (sic). O ocorrido foi comprovado hoje pela manha, quando a vitima acordou e se olhou no espelho, entrando em estado de choque devido ao estado lamentavel das pontas de suas madeixas, absurdamente ressecadas e espigadas apos o tratamento relax de ontem à tarde. A vitima hoje pela manha tentou reverter o quadro através de aplicaçao abundante de creme para cabelos ruins, mas os resultados nao foram satisfatorios. Ao que parece a causa da tragédia foi a preguiça da vitima, que nao teve disposiçao de ir a Perugia no calor insuportavel dos ultimos dias para ajeitar o pixete com sua cabeleireira de confiança e acabou cedendo aos encantos de um salao de beleza vagabundo na porta de casa.
– E eu que pensava que pior do que tava nao podia ficar… – diz desconsolada a vitima.
A tragédia comprova: fundo do poço tem porao sim.

Bem feito.

Eu nao consigo entender como

Eu nao consigo entender como é possivel, nos dias de hoje, uma pessoa entrar num escritorio, ou na casa de alguém, ou numa loja, e acender um cigarro sem perguntar a ninguém se incomoda ou nao.

Soh muito dedo no olho pra dar jeito nessa gente de merda.

Os italianos são hipocondríacos. E

Os italianos são hipocondríacos. E poucas coisas no mundo são mais chatas que hipocondria. Talvez seja porque eu, por motivos genéticos e psicológicos (ou alguém tem alguma dúvida de que quem não quer ficar doente, não fica?), quase nunca adoeço. O fato é que curtir a doença, como eles fazem aqui, me irrita muuuitooo. Não tem UM dia em que uma das meninas do escritório não me venha com dor de cabeça, nas costas, no dedão do pé, conjuntivite, a maldita “cervical”, enjôo, nervoso. Pombas, a mais velha sou eu, que tenho 26 anos! É possível ter todas essas dores, todos os dias? Quequeísso…

A minha reação quando sinto dor de alguma coisa é: que saco essa dor de cabeça (aliás, coisa que eu quase nunca tenho, só quando fico o dia inteiro de rabo-de-cavalo apertado ou quando durmo mal). A das meninas aqui é: aaaaaaaai que dor de cabeeeeeeeeça infernaaaaaaaaaal não aguento maaaaaaaaaais estou morreeeeeeeeeendo… Eu sabia que os italianos eram dramáticos, mas assim também é demais. E olha que EU sou muito dramática – minha mãe me chama de Yoná Magalhães – mas tudo tem limite, né, gente.

O engraçado é que eu digo que só fica doente de verdade quem pode, não quem quer, e eles não acreditam. Mas é a mais pura verdade: fora as doenças óbvias que te pegam pela sua fraqueza genética, as coisas do dia-a-dia não te atingem se você dorme bem, come bem, gosta do seu trabalho, está bem com a sua família, e NÃO QUISER FICAR DOENTE. Eu ODEIO ficar doente, e quando fico não perco o apetite nem o sono, o que me ajuda a me recuperar mais rápido. A última vez em que fiquei de cama foi em 2001 em Chiavari, quando tive uma amigdalite irritante que me deu uma febrinha chata por alguns dias. Antes disso, só uma amigdalite vai-e-vem muito provavelmente causada por microorganismos hospitalares (eu ainda tava no internato), e antes disso acho que por muitos anos não fiquei doente de verdade. Talvez seja só sorte de ter nascido com uma boa constituição física, mas acho que tem muito da cabeça também. Quem, como eu, acredita que doença é só perda de tempo e encheção de saco, acaba ficando menos suscetível a gripes e coisas do gênero. The mind is a powerful thing.

(Exceção é o Duduzão, que já teve TODAS as doenças e fraturas e acidentes e coisas estranhas do mundo, e não é nada hipocondríaco. Perguntem a ele quantas vezes ele já quebrou os ossinhos da mão, luxou alguma coisa, torceu o joelho e coisas do gênero. E nao botei o link ali à toa; aproveitem as dicas musicais do menino).

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Curiosidade: aqui na Itália o que nós chamamos de prato de sobremesa eles chamam prato de fruta (porque toda refeição termina muito salutarmente com uma fruta). O prato fundo, ou de sopa, eles chamam de prato de massa – porque macarrão e risoto só em prato fundo. Talheres de sobremesa não existem. Colher de café não existe, só usam a de chá. Xicrinha de café existe, mas de chá não – pro café da manhã eles usam xícaras ENORMES, onde pobres biscoitos e croissants recheados de geléia de frutas são afogados no café com leite. Panelas com cabo? Pra quê, se com o cabo curto você pode queimar sua mão toda hora? Teflon? Dá câncer. (eu prefiro morrer de câncer do que passar a vida ariando panela, mas essa é só a minha opinião pessoal). Microondas? Dá câncer. (idem)

A vida aqui muitas vezes segue o slogan daquela velha propaganda do SuperNintendo, que anunciava um jogo super difícil de chegar ao final: pra que facilitar, se dá pra complicar?

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Estou pensando em fazer pequenos ajustes no blog – um mini-glossário gastronômico, uma lista das coisas estranhas que existem aqui e não no Brasil e vice-versa, um microdicionário de palavras esquisitas, etc. Só me faltam o saco, o conhecimento de html e uma linha ADSL. No momento não tenho nenhum dos três…

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Eu e FeRnanda outro dia passando em frente ao salão de beleza em frente à minha casa. Vemos um calhambeque ROSA E LILÁS estacionado em frente. Rimos; nossa, que cor estranha… Olhamos dentro do salão e vemos uma menina de cabelo rosa. FeRnanda: deve ser da garota de cabelo rosa, o carro combinando com o cabelo… Dias depois vejo a menina dirigindo o carro. Era dela mermo.

Hoje vou lá esticar o pixete no salão da garota. Se chama Barbara e é a namorada de um operário do Mirco, e aliás jah foi várias vezes em Cipresso, quando eu ainda morava lá, quando o garoto ia ajeitar o computador ou outra coisa parecida. Como ela também tem cabelo ruim, espero que tenha pena de mim e ajeite o meu cabelo direito…

O menino que reabastece a

O menino que reabastece a maquina de comidinhas/bebidas/café aqui do escritorio é um gato, apesar de todo tatuado. Quando ele vem aqui é um rebuliço soh, eu me divirto. Cada biceps, mamma mia… ;)

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Hoje, mjadra do mes passado pro almoço. Jantar: filé de merluzo com arroz branco e cenoura e milho. (eu sou assim, vivo em funçao de comida, e hoje jah estou planejando todas as possibilidades alimentares da semana que vem)

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Enquanto isso… Tem uma lata de leite condensado, uma caixinha de chocolate em poh e um pacote de biscoitos estilo Maisena me implorando pra fazer palha italiana. Tudo bem que de italiana essa palha nao tem nada, até porque aqui nao tem leite condensado, mas enfim.

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Estacionados em frente ao escritorio hoje, dois carrinhos de mao cheios de batatas. No deposito de caixotes, além das pegadas dos cachorros sobre as caixas, tem um engradado cheio de alho e outro de tomate. Roça… é isso aih.

A novidade aqui é a

A novidade aqui é a revoluçao no codigo de transito: agora os italianos começam com 20 pontos na carteira de motorista, e vao perdendo pontos à medida em que fazem cagadas no transito. O mais engraçado é a indignaçao das pessoas que levam multas, mesmo por motivos obvios, como altissimos excessos de velocidade ou dirigir sem o cinto de segurança. Claro que logo na primeira semana teve gente que numa soh vez jah perdeu tipo 50 pontos (com menos de 5 anos de carteira os pontos perdidos sao dobrados. Jah conseguiram abaixar os 5 anos pra 2, no entanto.)

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Ainda no assunto “esses italianos sao todos neuroticos”, a FeRnanda me emprestou “Traçando Roma”, do LFV, com ilustraçoes de Joaquim Fonseca. Eh simplesmente a coisa mais divertida, simpatica, deliciosa e bem-humorada que eu jah li nos ultimos tempos. LEIAM!

Sabe o que eu queria?

Sabe o que eu queria? A letra daquela musica cantada pela Marisa Monte no primeiro CD dela, aquela das sereias. Alguém se habilita?

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CALOR DOS INFERNOS! Nosso escritorio, que tem tres paredes de vidro, vira um microondas à tarde, depois de passar a manha toda absorvendo calor. Merda.

Hoje salvei um gatinho. Tava

Hoje salvei um gatinho. Tava na sala lendo quando escuto um miado muito alto, o que significava que nao podia ser o gato da vizinha, que nunca sai de casa, mas algum outro que estivesse no corredor do prédio. Saih pra dar uma olhada e vi um gato preto, jovem, de grandes olhos amarelos, miando desesperado do alto de uma planta embaixo da janela desse andar. O coitado do bicho fez a burrada de subir e nao conseguia descer – uma classica idiotice felina, mas enfim. Na maior calma botei o bicho no chao, e ele veio todo dengoso pra mim, se esfregando nas minhas pernas. Nao era maltratado, mas também nao tinha aquele pelo brilhoso de gato que tem dono. Botei-o pra dentro e dei um pouco de leite; ele tomou metade e desdenhou o resto. Da varanda perguntei à senhora que mora no apartamento do lado, que estava estendendo as roupas no varal da varanda dela, se conhecia o gato, se tinha dono; ela disse que era o gato da pracinha, que volta e meia aparecia no bar ali embaixo do prédio ao lado. Desci as escadas com ele atras de mim, abri a porta da portaria e ele saiu, parou logo do lado de fora e ficou me olhando… Abaixei pra fazer carinho e ele pulou no meu colo. Ficou lah de olhos fechados enquanto eu fazia carinho na sua cabeça e atras das orelhas, depois o momento cat-person passou, botei o bicho no chao e entrei no prédio. Fiquei com pena, mas como vi que ele nao tava passando fome nem tinha pulga nem nenhum machucado, deixei pra lah. O pessoal do bar deve dar comida pra ele…

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Vamos passar a semana de ferragosto (ferragosto é o 15 de agosto, quando a Italia INTEIRA para e sai de férias “pro mar”) na Alemanha – era onde as passagens da RyanAir custavam menos :)

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O vocabulario do lanterneiro tah cada vez melhor, agora jah estah até emitindo frases inteiras. A primeira oraçao aprendida foi: um bicho me mordeu.