Ontem achamos umas barraquinhas de

Ontem achamos umas barraquinhas de fruta no Quirinale. Eu tava a fim de umas uvas, mas os cachos eram todos enormes. Falei pra Valeria:
– Po, queria um cacho menor, eh tudo jamanta…
Um cara do meu lado:
– Trujaman? Cos’è trujaman?
Eu fiquei com preguiça de explicar e falei soh que era grande e pronto.

Vimos Isola Tiberina (uma ilhota compridinha no meio do rio, sem nada significativo a nao ser um hospital) e a catedral de San Giovanni (a igreja-chefe de Roma), lindissima. Perto da igreja tem a Scala Santa, teoricamente os degraus do palacio de Pilatos por onde Cristo teria passado no dia de sua morte, degraus esses trazidos em 326 dC pela mae do imperador Constantino, se nao me engano. Voltamos cedo pro albergue, jantamos por aqui mermo, e depois caminha.

Hoje rearrumamos a bagagem, nao fizemos nada de produtivo e no momento estamos na recepçao do albergue esperando o Guido trazer o carro pra levar a gente pra Florença. Acabei de almoçar com ele, ficamos batendo papo no Jardim das Laranjeiras – detalhe que tavam flmando um filme sobre Sao Francisco de Assis na igreja ao lado e de repente começou a surgir um povo vesido de padre, soldados medievais etc, todos comendo sanduiche e falando no celular. Amei :)

beijos mil
leti

Ontem fomos ao Monte Palatino

Ontem fomos ao Monte Palatino de manha. O engraçado dessas ruinas todas eh que elas sao todas no meio da cidade, voce andando no meio daquelas construçoes enormes e incrivelmente antigas e os carros passando pertinho na rua ali embaixo. Esse lugar em particular eh de uma paz incrivel. Voce vai subindo o monte, indo mais lah pra dentro, e fica um sileeeeeeencio…. Soh os passarinhos cantando, e aquele cheiro de pinheiro, uma grama verdissima que me deu uma vontade enorme de tirar os sapatos e sair correndo pra depois cair sentada (nao dava, tava molhado da chuva do dia anterior, coisas da vida). Como nos jah estamos agora num estagio em que jah vimos todos os pontos turisticos classicos da cidade, podemos nos dar ao luxo de acordar um pouco mais tarde, nos arrumar com calma, tomar cafe da manha devagar (ateh porque a casca do pao eh tao dura que se comer rapido engasga), sair do albergue com calma, sem ter que correr pra nao perder o horario do museu. A gente vai andando pelas ruas, ve alguma coisa interessante, para e entra pra ver qual eh. Muito bom conhecer a cidade assim com calma, conversar com as pessoas na rua, descobrir restaurantes em becos.

De manha ontem uma mulher veio atras da gente no metro. Ela ouviu a Valeria falando que tinha esquecido o guarda-chuva que ela tinha comprado dos indianos na rua (aqui tem um monte de indianos, ou sao garçons, ou vendem castanhas, ou guarda-chuvas feito camelo na rua da carioca, ou uns posters ridiculos que eu nunca vi ninguem comprar) e parou pra falar com a gente. Era de Maceio, trabalhou na Globo, ficou maluca (ooooh novidade) e resolveu vir pra cah. Disse que pra ela as cidades mais maravilhosas do mundo sao o Rio e Roma, e que adora isso aqui. Deu ateh o nome de um jornal pra gente procurar emprego. Eh tentador :)

Guido nos encontrou perto da Piazza Colonna. Estavamos morrendo de fome e loucas por um suppli’ (comemos 3 cada um, sentados na Piazza del Popolo). Depois fomos ao cinema ver Como Caes e Gatos, totalmente sessao da tarde :) Ainda demos uma rodada basica pelo centro historico, Valeria voltou pro albergue e eu ainda fiquei passeando um pouco com o Guido antes de voltar pro albergue tambem.

Aih hoje de manha eu to descendo do meu beliche quando a menina que tava dormindo na cama de baixo me vem:
– Brasil?
– é!
– Logo vi… Pelas Havaianas! /risos/

Hoje vamos visitar a Isola Tiberina, que jah foi uma estaçao de cura e hoje tem um grande hospital. Depois talvez rolem umas igrejas que a gente ainda nao viu, e depois, quem sabe! :)

A vida eh bela, os passarinhos cantam. E, como diz o Live:
Spread your wings and fly!

baci a tutti

Ontem Guido me levou a

Ontem Guido me levou a um restaurante de comida da Eritreia (!). De entrada vieram umas coisinhas parecidas com esfihas, porem fritas, uma com recheio de carne e outra de lentilha. Essa de lentilha eh especialmente maravilhosa, comi de olhos fechados curtindo a bichinha :) Se nao me engano o nome eh sambussa (passei a manha toda tentando lembrar do nome, cismei que era Salmissra, ateh lembrar que Salmissra eh uma personagem de David Eddings).

Hoje acordamos meio preguiçosas (um frio do cacete e uma chuvinha pentelha). Valeria tinha um almoço marcado com uma amiga, entao fomos pro centro da cidade passear ateh a hora do almoço. Nao fizemos basicamente nada de util, na verdade tem sido um dia bastante idiota ateh o momento. Mas eh bom dar umas voltinhas sozinha, pensando na vida, sentar no banco na Piazza Navona (sem sorvete, chega de gordura) e escrever um pouquinho. Almocei no McDonald’s por absoluta falta de vontade de entrar num restaurante sozinha, mas me arrependi. Aquelas batatas deles nao podem ser de verdade, sao boas demais da conta – mas caem mal pra burro. Na verdade eu tava doida eh por um suppli’ (sao uns bolinhos de arroz com molho de tomate, mozzarella no recheio e empanados e fritos, uma coisaaaaaaaaa de loucooooooooooo), mas nao achei em lugar nenhum… Ou entao aquela tortinha de nutella da tal padaria no subsolo… Nham nham.

Lah fora tah um vento danado de gelado, daqueles que deixa voce achando que estah com reumatismo, de tanto que chega aos ossos… Umas nuvens esquisitas passando pra lah e pra cah, eu hein :P Mas jah tava na hora do tempo fechar, nessa epoca do ano em geral jah chove, a gente deu muita sorte de pegar os dias lindos que pegamos ateh agora. Eu preciso agora eh comprar alguma coisa pra esquentar minha cabeça e minhas orelhas, eu morro de frio nas orelhas. Se existisse esquentador de nariz eu comprava tambem.

Falando em comprar, menciono agora tres tendencias fortes aqui: casacos longos de couro com pelucia/pelo/coisa que o valha saindo pelas costuras, calças de boca estreita para homens (quer coisa mais ridicula? ficam parecendo uns bonequinhos G. I. Joe) e sueteres com ziper no ombro (eu jah tenho u-uuuum, lalalala-laaaaaa, da Zaraaaaaaaa… Leticia the trend-setter, aaaalways ahead of her timeeeeeee).

Bom, eu agora vou aproveitar que nao estou fazendo nada de interessante e dar mais uma passeada basica pelas ruas e babar mais um pouquinho com as fachadas.
Beijos macarronicos a todos.

Hm, quanto tempo… Nem sei

Hm, quanto tempo… Nem sei mais onde parei.

Bom, comecemos por hoje que estah mais fresco na memoria. Hoje eu acordo (com o barulho dos velhos cantores lah fora, ver explicaçao abaixo) morrendo de sede (negligenciei a retirada dos meus sisos, que cresceram e desajustaram minha boca toda, eu agora tenho dificuldade pra respirar e falar – tudo que eu sempre quis na vida foi ter uma dicçao pior do que a que eu jah tenho e dormir de boca aberta. Dormir de boca aberta dah uma sede do cacete.) e fui toda felizinha abrir meu armario pra tirar minha garrafa de agua, quando percebo que passei o cadeado na porta com o Ricky Martin (meu chaveiro) dentro da bolsa, dentro do armario. Nem descer pra recepçao pra pedir ajuda eu podia, nao de pijama de seda, eh claro. Lah se vai Valeria com o cabelo todo em peh, cheia de sono, pedir um treco pra quebrar o cadeado. Daqui a pouco me sobe ela com um alicatao daqueles enooooormes, pesaderrimos, de cabo vermelho, uma cena absolutamente ridicula. Mais ridiculo soh a gente fazendo força conjunta pra quebrar o cadeado.

A manha, que jah começara assim dantesca, prossegue com uma visita aos museus do Vaticano acompanhadas de uma italiana nanica absolutamente atolada e derrubadora de coisas e uma neozelandesa careteira, sendo que nenhuma das duas entendia chongas do que a outra dizia. Mas foi divertidissimo, e no final da visita (belissima, por sinal, os museus sao realmente o oh do borogodoh) comemos uma pizzinha basica (quem falou que a pizza italiana eh uma bosta nao tem papilas gustativas higidas!) e largamos as duas malucas cada uma pro seu lado. Iamos à Piazza Venezia ver o Palazzo Venezia, mas no meio do caminho descobrimos que nao tinha nada de interessante pra ver lah. Entao começamos nosso processo pedestrico – Valeria queria uma jaqueta de couro pra se sentir assim bem italiana, e batemos perna por algumas horas ateh achar algo que agradasse e fosse financeiramente compensador.

Hoje mais tarde vou jantar com Guido (boca livre eh otimo, ainda mais em liras). Soh espero que nao seja de lambreta de novo; ontem meu nariz ficou tao gelado que achei que eu fosse ficar desnarigada.

Ontem

Acordamos com os velhos cantores fedidos de lenço amarelo falando alto no corredor, uma delicia de despertar. Banho demorado, com lavagem de roupas, que culminou na perda do cafe da manha (nao que seja muito ruim perder o cafe da manha desse albergue, ainda mais que tinhamos paezinhos e croissants e danette light no quarto). Fomos à Villa Borghese. Custamos um pouco a chegar (as placas aqui sao algo enganadoras), mas tambem, a chegada foi o oh. Eh uma area enorrrrrrrrrrme, uns gramados deliciosos, um monte de gente com crianças e cachorros (como tem cachorro nessa terra! achei ateh um sosia do Legolas, apertei tanto as bochechas dele, hmmmmmm), bicicletas, aqueles quadriciclos ridiculos que nem na Lagoa Rodrigo de Freitas. Enfim, uma coisa de louco. O Museo Borghese tem coisas muito bonitas, mas eh meio pentelhinho, voce soh tem duas horas pra ficar dentro do museu, e na Galleria Borghese, que tem um acervo enorme, soh meia hora, depois disso a mulherzinha começa a gritar no microfone mandando a gente picar a mula. Mas no Museo propriamente dito tem um monte de estatuas do Bernini, que pra mim, honestamente, bota o Michelangelo razoavelmente no chinelo. Saimos de lah meio bebadas de beleza, sentamos na grama do parque pra ver os passarinhos voando e as pinhas caindo. Depois cansamos e fomos aproveitar a Galleria Nazionale di Arte Moderne, que ontem tinha entrada gratuita. Tinha uma exposiçao pobriiiiiiinha da Frida Khalo, de quem eu jah nao gosto muito, mas tem muitas outras coisas lindas tambem. E pra esperar o tram naquela friaca horrenda que tava? Creeeedo, um frio do cao, a gente toda encasacada mas com as maos narizes orelhas completamente dormentes. Mais pro centro nao tava tao frio, descemos meio longe do albergue pra poder passar na padaria no subsolo e fomos andando.

A padaria no subsolo

A padaria no subsolo eh um lugar escondido que voce normalmente nao notaria, se nao fosse o absurdo cheiro de pao que emana dela a qualquer hora do dia. Voce para na porta e olha lah pra baixo, e ve um balcao com zilhoes de coisas lindas de comer. Eu nao gosto de doce de padaria, mas acredito que qualquer formiga humana ficaria louco ali. A Valeria chega a ver estrelinhas. Eu como sempre um tipo de minitortinha com recheio de nutela (/morre sucessivamente repetidas vezes uma atras da outra sem parar/) que eh absolutamente divina. Nao sei o nome da bichinha, eu sempre pergunto pro balconista mas naquela confusao de gente (tem gente fazendo pedido da escada em caracol, porque fica tao cheio que nao eh sempre que se consegue descer) eu nunca consigo entender o que ele fala. Eu tava meio hipoglicemica – meu almoço tinha sido uma fatia de quiche de carne, ridiculamente pequena, por sinal, e um microcopo de suco de laranja (tinham acabado as latas de suco e a politica deles eh simplesmente substituir uma lata por um microcopo, e foda-se voce e o seu dinheiro suadinho) – entao a tortinha desceu assim limpando a serpentina.

Chego no albergue, ligo pro Guido, e de repente eu olho e vejo uma cabeçada entrando no albergue e cantando – sao os velhinhos cantores fedidos de lenço amarelo no pescoço. Muito bem, tomo meu banhinho basico e lah vamos eu e Guido de lambreta pro cinema.

O cinema

Aqui os filmes sao todos dublados. Ver a Nicole Kidman falando italiano eh a coisa mais hilaria do mundo. Alem desse fator hilariante, temos tambem os seguintes: os lugares sao marcados, e tem intervalooooooooooooooooooooooooooo

Depois do cinema fomos à taverna do Tom Bombadil (uma gracinha!). Tinha caipirinha, caipiroska e caipivodka, um espetaculo ;)
Chego no albergue meia-noite e um (a gente tem que entrar meia-noite senao fica na rua), subo correndo e vou mimir.

Anteontem

Anteontem Valeria me acorda meia-noite e meia com a seguinte frase:
– Tem uma mala aqui dizendo que eh dona da minha cama, o que eu faço?

Como tinha duas camas livres no quarto, a resposta pra mim era totalmente obvia:
– Uai, manda ela dormir numa das camas livres.

A tal da mala, uma chilena de cara achatada, começa a ladainha:
– Yo tengo lo bolleto, tu tienes lo bolleto? Hm?

Eu (jah totalmente sem a pouca paciencia que meus cromossomos me permitem):
– Que mane boleto, isso eh hora de pedir boleto? Vai pra outra cama, que diferença faz? Amanha voces se entendem, pelamordedeus.

[O lance foi o seguinte: no dia em que chegamos, a cama que deram pra Valeria, ou seja, o numero da cama que aparece no tal boleto, estava ocupada. Descemos pra perguntar na recepçao e o cara disse pra pegar uma vazia, que foi o que ela fez. Esta tal cama, entao, estava marcada como vazia no computador, que, obviamente, nao sabia que a Valeria estava nela. Quando a chilena chegou, o computador a botou nessa tal cama – onde nossa cara Valeria jah tinha se aboletado hah dias. O que aconteceu foi que a Valeria tinha saido pra jantar, e eu pra variar fui dormir cedo e nao vi a mala chilena chegar. Ela chegou, viu as coisas todas de outra pessoa na cama, e em vez de ter o bom senso de simplesmente mudar de cama, tirou tudo do lugar, inclusive a roupa de cama, jogar tudo no chao, ajeitar as coisas dela e sair pra comer. Quando Valeria volta, nao percebe a mudança (nao dava pra acender a luz) e vai dormir, lepida e fagueira. A chilena volta do jantar e encontra Valeria na cama que ela cismou que era dela, e acorda a Valeria, que vem me acordar, devido ao grau de esdruxilidade da situaçao.]

– Yo tengo lo bolleto, quiero que tu saia (jah estou inventando no espanhol aqui, mas tudo bem).

Eu, no auge da impaciencia:
– Cara, vou te contar, voce deve ser argentina, neh, chata assim soh pode ser argentina. Vai dormir, garota, isso eh hora de acordar os outros?

Ela (suuuuuuper cinica):
– No comprendo.

Eu:
– Que maneh nao comprende, sua chata fingida, vai dormir, nao enche o saco, tu tah acordando todo mundo, resolve isso de manha, filhinha… Continua educada e legal assim e voce vai ver como vai ser otima sua vida em albergue. Vao te roubar todo dia.

Acabou que a garota fez a Valeria mudar de cama e soh fomos dormir uma hora da manha. Ainda mandei um ‘tomara que voce caia dai de cima, tenham que chamar um medico, ele seja lindo e me chame pra sair’ antes de dormir.

Resultado: acordamos num mau humor impar. Eh obvio que a garota deve ter ficado com medo de mim e mudou de quarto hahahahahahaha

Pegamos onibus com um pessoal de um coral de uma escola inglesa (eu, obviamente, fui perguntar onde eles iam cantar), uma gracinha os meninos de terno e gravata :) Fomos às Termas de Caracalla (lindas), o Foro Romano (lindo), a Bocca della Verità (uma igreja do inicio da Idade Media DIVINA, simplerrima, sem a ostentaçao enojante porem bela dos seculos posteriores), e de la pra igreja de Santa Maria Maggiore, onde as crianças jah estavam na metade do recital. Chorei o tempo inteiro. Ter um talento cantante assim deve realmente ser uma coisa espetacular, que coisa linda!

Depois do almoço (que eu tambem nao lembro onde foi) fomos buscar os novos oculos revolucionarios de titanio da Valeria, depois tomar um sorvetinho de chocolate negao e gianduia na Piazza Navona, onde ficamos sentadas um tempo vendo os artistas de rua. Passou uma banda alema, tentamos seguir (esse negocio de recital de graça eh otimo), mas eles desapareceram no espaço-tempo, entao acabamos voltando pro albergue.

Se eu lembrar de mais alguma coisa, eu aviso, tah, amores? :)

Beijos
Le

Eu almocei na Via Veneto,

Eu almocei na Via Veneto, e voce?

Hoje foi o dia de resolver coisas. Pegamos fila no banco e tudo. Saimos às compras, revelamos fotos, fomos ao supermercado comprar coisas basicas como sabao em pedra pra lavar roupa no albergue (eeeeeeita vida de pimba) e coisas afins.

Compramos varias roupitchas italianas. Eu em particular comprei um casaco 7/8 de couro que eh o fiiiiim da picada, botas tipo sapatenis beeeeeem europeias, um sapatenis suuuuuuuper romano, ateh um par de oculos razoavelmente grandes porem sensatos, porque voces sabem que eu detesto chamar a atençao. Mas enfim. Soh falta uma mochila da Adidas que TODO mundo aqui na Italia ta usando, bem fashion. Voces vao gostar.

Com licença que eu vou ali tomar um sorvetinho antes de ir procurar uma loja de mochilas pra Valeria (a mala Tabajara dela quebrou, o apoio pra ficar em peh ficou em Pompeia e a alça em algum lugar em Salerno) e uma tal de pulseirinha com letrinhas e bandeiras nauticas que ela tah namorando hah tempos.

Baci, ragazzi e ragazze :)

Ontem o dia terminou, depois

Ontem o dia terminou, depois de cerca de 5 horas de caminhada pelo centro historico, com um sorvete de gianduia e chocolate na Piazza Navona. Quase chorei de tao gostoso que era o bichinho. Aquele chocolate negao, do jeito que eu gosto, bem cacauzento mermo, hmmmmmmmmmmm…

Hoje acordei toda serelepe, crente que ia rolar a maior friaca, boto minha calça fashion de la cor de vinho, e quando a gente anda um pouquinho jah tah o maior sol! Nao que eu esteja reclamando, longe disso, mas eh um saco ficar andando por aih de roupa quentinha quando estah relativamente quente. Ainda mais quando voce passa o dia inteiro andando, subindo escada etc. Mas tudo bem, ossos do oficio, pelo menos eu nao to aih no Brasil vendo Jornal Nacional nem ouvindo Tchan no radio ;)

Hoje de manha fomos à Basilica di San Pietro. Depois de subir aqueles zilhoes de degraus, de passar por aqueles corredores estreitos e inclinados que deixaram todo mundo verde de enjoo, chegamos no alto da cupula. A vista lah de cima eh indescritivel. Parece as ilustracoes de Roma que aparecem nos quadrinhos de Asterix (ateh porque eh aquilo mermo, a estrutura da cidade nao mudou nada). Os predios todos baixos, todos daquela cor meio ocre maravilhosa, muitos com jardim interno, e muitas arvores espalhadas pelos jardins… Quase infartei (primeiro porque era degrau pra burro, e mermo com uma boa preparaçao fisica dah um cansaço maneiro) com a vista; eh tao lindo que dah vontade de chorar.

O segundo infarto veio depois, quando descemos pra igreja propriamente dita. A luz da manha (eram umas dez horas) entrava pelos janeloes e pelos recortes da cupula, aqueles marmores todos, tava rolando um canto gregoriano show de bola. Olha, eh dificil ateh de explicar, eh simplesmente a coisa mais linda que eu jah vi em toda a minha vida – e olha que pra mim igreja nao tem absolutamente nenhum significado espiritual ou sentimental. Mas nao dah, nao dah mermo, a coisa eh simplesmente maravilhosa, apesar de ter toda a historia podre da Igreja Catolica por tras e aqueles papas e cardeais das estatuas terem sido todos uns crapulas pedofilos e tal. Mas nao consegui segurar, dei ateh uma choradinha basica. Eu nunca imaginei que pudesse existir um troço tao lindo assim no mundo. Eh claro, sempre soube que era bonito e tal, mas eh MUITO maior e MUITO mais bonito do que se pensa, simplesmente porque nem com todas as fotos e videos do mundo dah pra ter nem uma pequena noçao do que eh essa igreja. A praça lah fora jah eh um desbunde, neh, vc entra na praça (depois de ser devidamente revistada pelos carabinieri (sao quase todos lindos, e todos metiderrimos /risos/), obviamente. Eu e Valeria nao podemos ver um deles que saimos correndo atras, doidas pra sermos revistadas hahahahahahahaha Bom, quando saimos da igreja o Papa tava na janela da biblioteca falando com a galera lah embaixo, aquele tapetinho vermelho pendurado na janela e aquele velhinho pequeninho laaaaaah longe falando no microfone (gente, como ele tah velhinho, mal consegue falar, dah uma pena, ele eh tao bonitinho!), parecia uma pintura :) A minha maquina fotografica Pimba Tabajara obviamente nao conseguiria jamais captar esse momento, mas a da Valeria eh daquelas que tem um zoom indecente e talvez saia legal.

Mas enfim, a gente saiu da Basilica ateh meio grogue de tanta beleza (a Pietà eh um pouco menor do que eu imaginava, mas realmente maaaaaraaaaaviiiiiilhoooooosaaaaaa), e ainda ficamos rodando um pouco feito uns perus bebados pensando no que fazer. Alguns museus tavam fechados, por causa do feriado hoje, mas acabamos pegando um onibus mermo e indo pra Piazza Campidoglio, aos Museus Capitolinos. Muito marmore lindo, muitos quadros lindos, e o proprio predio eh uma coisa de louco. Mas aih bateu aquela fominha do meio da tarde (minha solitaria Suelen começou a se queixar de anemia profunda) e fomos catar um lugar pra comer.

Burras! Caimos numa esparrela, um lugar com full lunch por miseras 15.000 liras. Deviamos ter desconfiado. Eram tres canelonezinhos que mal davam pro buraco do dente, e um filet de frango empanado com gosto de Chickenitos velho. E uma salada de rucula, justo rucula! Pelamordedeus, neh.
De lah fomos a um cafè absolutamente entupido de gente – segundo Nevio, o carequinha lindinho (palavras dele), que trabalha no albergue e se apaixonou pela Valeria (ateh agora soh quem se apaixonou por mim foi o garçom siciliano desse restaurante supramencionado, que achou minhas maos esplendidas. Uma nareba que valha-me deus…), tem o melhor café da cidade. Devia ser mermo, tava mais cheio que o Maraca em dia de jogo, uma barulheira do caramba. Eu nao posso dizer, jah que nao tomo café, mas o cheiro era otimo! :) O engraçado eh que aqui vem um dedinho de café na xicara sò, um tiquinho de nada. Vai entender.

Enfim…

Isso aqui eh muito bom, tem tanta coisa pra ver, a cada canto que voce vai tem uma coisa linda pra ver, eh uma coisa de louco! Acho que nem que eu passasse a vida toda aqui ia me cansar desses jardins, e dos predios cor de terra, e das placas de marmore com o nome das ruas, e dos vasinhos de planta pendurados nos predios, e das lambretas malucas, e do monte de cachorros que tem por aqui, e dos oculos escuros enormes e coloridos que as pessoas usam, e do bando de turista pedindo direçao pra gente, e dos malucos que acham que a gente tem cara de ucraniana ou russa (3 pessoas jah vieram dizer isso pra gente), e dos mais malucos ainda que olham pra cara da gente e falam ‘ma finalmente le brasiliane!!! tudo bem? ronaldinho?), e de nao pagar transporte publico (dica da Ana, meu bilhete Tabajara jah tem duzias de carimbos – aqui voce compra um bilhete que serve pra metro e onibus, e dura tantos minutos, normalmente 75 – numero mistico – e quando voce entra no metro ou no onibus tem umas maquininhas amarelhinhas onde voce enfia o bilhetinho, ela faz um ‘trec’ e carimba um negocinho, tipo uma autenticaçao. Mas nao tem ninguem pra conferir se vc autenticou mermo ou nao, se o seu bilhete jah expirou ou nao, o que significa que estou usando o mermo bilhete desde o meu primeiro dia em Roma, hahahahahaha)… PUTZ, como eu gosto desse lugar!

Guido diz que eh facil arrumar emprego aqui, inda mais a gente que fala ingles legal e tem uma carinha assim normal. A gordota americana no albergue outro dia disse que jah conheceu duas guias turisticas que tinham vindo pra cah como turistas, se apaixonaram e ficaram trabalhando. Jah me deram dois papeizinhos amarelos na rua com proposta de emprego (nao sei o que eh, tem que ligar pra saber. Nao sendo go-go girl, eu to topando ;)

Amo todos voces, mas no momento minha vida de piazza em piazza tah tao boa! :)
Zilhoes de beijos sorvetentos a todos
Leticia

p.s.: peço a todos os amigos e parentes que porventura venham a me escrever que os e-mails vindouros sejam desprovidos de acentuaçao, visto que os computadores daqui transformam tais acentos em caracteres estranhos, tornando a leitura das mensagens assaz complicada. Grazie :)