Da série Expressoes que eu

Da série Expressoes que eu Gostaria que Existissem em Outras Linguas:

– cor de burro quando foge
– eca!
– tudo que começa com ai (ai que linda essa bota, ai que cabelo horroroso, ai que saco, ai que vontade que da, ai que saudade do meu cachorro)
– saudade eu nem digo, porque eles aqui conhecem a palavra, e todo mundo que descobre que sou brasileira me pergunta logo se eu tenho saudade de casa. Logico que eles dizem “saudaje”, mas enfim. Acho bonitinho eles conhecerem a palavra :)

Da série Coisas Odiosas

Da série Coisas Odiosas Sobre a Italia, Além do Fato dos Italianos Fumarem Demais

O Sistema Bancario de Cro-Magnon

Eu jah devo ter comentado isso aqui, porque a coisa é tao ridicula que às vezes me dah vontade de chorar. Mas essa semana foi demais.

Tudo bem que o brasileiro usa cheque exageradamente, na minha humilde opiniao, mas aqui a coisa é de matar, porque praticamente soh as empresas usam cheque, pra pagar fornecedores etc. E a coisa funciona assim: no talao tem o numero da conta (que nao é impresso, mas FURADO no talao, a mao, numa maquininha do tempo de Dom Joao Charuto), mas nao o nome do titular. O dono da conta tem que assinar o cheque, logico, mas quem recebe também. E pra depositar o cheque o dono da conta a creditar tem que autorizar o banco a faze-lo.

A idéia deles de cheque em branco é escrever non-transferibile numa parte do cheque especialmente reservada pra isso. Mas outra pessoa pode descontar um cheque nominal, mesmo que nao seja pra ela, e ninguém pede documento. Outro dia fui trocar um cheque que era o salario de um dos marroquinos que trabalham pro Mirco. Nao acho qeu eu tenha cara de Nakkira, mas mesmo o cheque sendo nominal a ele me trocaram sem perguntar nada.

O cheque realmente em branco tem escrito M.M. na parte “pagar a”. M.M. significa “me medesimo”, ou mim mesmo. Em teoria qualquer pessoa com um cheque desses nas maos poderia descontar, né, jah que o destinatario nao é especificado. Mas naaaaao…

Ontem a mula do meu chefe me pagou com o cheque de um banco onde eu soh fui uma vez. Lah fui eu, toda fagueira, trocar o bichinho, e lah vem o Mirco cortando o meu barato:
– Onde voce vai?
– A (crase) Banca dell’Umbria, sacar o cheque, ué.
– Mas ninguém lah te conhece, nao vao trocar.

Na Italia é mais facil descontar um cheque nominal a uma outra pessoa do que um em branco.

Andei lendo (atrasada, eu sei,

Andei lendo (atrasada, eu sei, mas enfim) o post sobre gordos do Amarula com Sucrilhos, que começou com a troca de e-mails do Leo Jaime com a Signorina Epinion. Fiquei assustada com a violença da coisa. Acho que neguinho tah radicalizando demais, e radicalizar, todo mundo sabe, nao é legal. Tudo tem um limite, né, quéridos.

O problema dessa historia dos gordos é o exagero, tanto pra mais quanto pra menos. Magro demais é feio, sim, claro que é. Mas gordo demais também é feio, e quem disser que nao o nariz vai crescer. Assim como alto demais é feio, como baixo demais é MUITO feio, como espinhas demais na cara é feissimo, como dentes tortos ou amarelos ou pretos ou cinzas ou faltando sao horrendos. Assim como é feio ser ignorante, também é feio ser mal-informado, é feio ser intransigente, é feio ser intolerante, é feio ser incoveniente. Nao sei se voces notaram, mas todos esses defeitos sao coisas mutaveis. E nao mudar uma coisa mutavel é feio também. Acho que o maior problema com o gordo é que é tao obvio que é possivel emagrecer que o primeiro pensamento dos outros é “mas como é que uma pessoa se deixa ficar assim?”. Aquela frase “soh é gordo quem quer” é a maior verdade que tem. Porque fora aquela minoria que tem disturbios metabolicos graves e engorda soh de respirar, o resto é gordo ou porque come demais, ou porque se mexe de menos, ou mais possivelmente ambos. Porque ninguém força a sua maozinha a abrir a geladeira e levar um docinho à boca, darling. O gordo come porque nao consegue se controlar, e nao saber se controlar é muito feio. Eu sei, porque também tenho minhas fases de descontrole total, quando entao começo a perder de 8 a 0 pra geladeira todos os dias. E nao é legal. Nos que estamos no topo da cadeia alimentar (talvez seja exatamente esse o problema) nao podemos perder pra geladeira, é ridiculo. Se perdemos é porque tem alguma coisa errada nessa historia toda. Eh porque jah admitimos que somos mais fracos do que ela, é porque estamos de saco cheio de nos mesmos, é porque o prazer momentaneo, instantaneo, esvoaçante de comer se torna mais importante do que cuidar de nos mesmos.

E aih entramos no capitulo “cuidar de nos mesmos”. E aih começam também as ridiculas generalizaçoes. Todo mundo sabe que fauna de academia é uma coisa ridicula. Todo mundo que jah entrou numa academia de ginastica jah topou com mulheres que vao com modelito novo da Nike todos os dias, que vao malhar (ao menos em teoria) de argola, maquiagem e cabelo solto, ou com caras que depois de uma série de biceps de 12 repetiçoes vao se olhar no espelho pra ver se o musculo jah cresceu. Mas a Ale esquece que gente futil e idiota tem em TUDO que é lugar do mundo. Vah lah, em maiores proporçoes dentro da academia, mas nao significa que malhar seja uma coisa ruim. Como sempre, é o EXCESSO que é ruim. Tudo em excesso é ruim, até agua – tem muito maluco que morre assim, bebendo agua demais; tem até um nome cientifico, mas eu esqueci. Morar dentro da academia é ruim. Como morar dentro do trabaho, do cinema, das boates, é ruim. Jah tive duas fases de passar mais de duas horas por dia dentro de academia. Uma no quarto ou quinto ano da faculdade, quando a academia era pertinho da casa da minha avoh, onde eu tava meio que morando, e eu ficava estudando obstetricia na bicicleta ergométrica. Outra no ano passado, em Perugia, onde descobri uma academia modernérrima, cheia de aulas legais de step, que eu adoro, com maquinas hi-tech de musculaçao, com certas figuras perambulando pra lah e pra cah que eu ficava sentada horas soh rindo internamente delas. Nao tem nada errado nisso. Claro que nao consegui fazer muita amizade, porque como toda academia, tinha gente demais com cabelo solto e argolona fingindo que malhava, mas eu saia de lah me sentindo otima. Nem perdi tanto peso, mas me sentia o-ti-ma. As vezes ia correr de manha na estrada atras de casa – a estrada onde eu conheci o Mirco e a causa de toda a minha vida aqui na Italia – e corria, corria, corria, sem parar, sem cansar. Estava otima. Agora, que estou sem grana e sem tempo de malhar, e é frio pra cacete fora e nao dah pra correr, nao dah nem pra ir pra Assis a pé como eu faço quando o tempo é bonito, engordei de novo. Estou uns 4 quilos acima do meu peso normal (que nao é nem nunca vai ser peso-pena; sou ossuda demais, flacida demais, celulitica demais, e gosto demais de comer pra ser magrinha, mas todo mundo tem um peso normal, e o meu eu deixei pra tras hah alguns meses) e jah nao tenho nem a agilidade nem a vontade de me mexer que tinha antes, quando tinha mais ou menos um ritmo de exercicios fisicos. Sinto preguiça, me sinto pesada, lenta. Minhas roupas me apertam a barriga e chego em casa com colicas de noite. Mas eu sei que estou assim porque quero, porque jah que nao estou me mexendo deveria comer menos, porque um mes de deslizes gastronomicos me deixaram assim, e agora vou custar a recuperar. Mas vou recuperar, porque, ao contrario da maioria dos hipocritas, eu sei que gordo é feio e deselegante, e eu nao quero ser gorda demais. Porque mais ou menos gorda vou ser sempre, algum grau de barriga vou ter sempre. Mas isso nao quer dizer que vou deixar pra lah e sair comendo feito uma louca e virar obesa morbida e sair militando por aih que o mundo tem que me aceitar como eu sou. O mundo te aceita como voce é, desde que voce esteja disposto a tentar melhorar, sempre. Todo mundo sabe que perfeiçao nao existe, mas nao custa tentar se aproximar dela o mais que conseguirmos, né nao? Quem se contenta com pouco nao sai do lugar nao evolui. Gente que caga e anda é o pior tipo que tem.

Acho engraçado que a maioria das pessoas é incapaz de um pensamento do tipo nem oito nem oitenta e oito. O pensamento hoje é quase do tipo “jah que nao conseguimos ser magras como as modelos, sejamos obesos!”. Ora bolas, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, darlings. Nao tem absolutamente nada de errado com querer ser mais bonito. Alias, o errado é exatamente se acomodar e achar que tah tudo otimo, que todo o mundo vai ter que achar gordo bonito, que as companhias aéreas vao ter que alargar as poltronas pros gordos caberem. O errado também é morrer de fome pra ficar magérrima quando o seu DNA diz que voce nao é assim. O certo é tentar ser uma pessoa legal, interessante, honesta, bem-informada; também é MUITO certo tentar melhorar a aparencia. Porque, querendo ou nao, é a primeira coisa que vemos de uma pessoa. Querendo ou nao, somos bichinhos feitos pra procriar. Desde insetos até pavoes, passando por todas as sociedades humanas consideradas “primitivas”, TODO mundo se enfeita. Pra TODO MUNDO é importante a aparencia. E qual é o problema? Ninguém leu aquela pesquisa interessantérrima que fizeram com mulheres em dias de ovulaçao e dias normais? Nos dias normais achavam homens como Leonardo DiCaprio interessantes, mas quando estavam ovulando se sentiam mais atraidas por homens mais masculos. Alguém duvidava do resultado dessa resposta? Alguém duvida que se fossemos ainda neandertais, o DiCaprio nao conseguiria nem colher uma frutinha numa arvore mais alta, quanto mais se sair bem numa luta por comida, por territorio, por uma femea? Tudo bem, somos mais evoluidinhos hoje, pensamos melhor, falamos, ganhamos um polegar opositor. Mas nao significa que os instintos às vezes ainda nao falem mais alto. Pra mim gente obesa é sinonimo de perdedor, sim – porque uma pessoa que perde pra geladeira, uma pessoa que nao toma cuidado de si mesma, provavelmente terah problemas em outras areas da vida também. Eu sei, porque quando estou mal como mais, porque quando perco pra geladeira é porque estou mal pacas, e quando estou mal pacas nao consigo fazer nada direito e ninguém me suporta, acomeçar por mim mesma. Porque quando começo a cagar e andar pro que os outros pensam é porque estou cagando e andando pra como eu me sinto também. Esquecemos que, ao contrario de alguns bichos que transam e morrem, nos somos mais avançadinhos, vivemos em sociedade. E viver em sociedade significa às vezes pensar no coletivo, preocupar-se com o coletivo, observar o coletivo, significa ter rivais, competir, significa tentar melhorar senao o outro te rouba a mulher, a piada, o emprego. Eh importante o que os outros pensam sim, obviamente até um certo limite (olha aih o limite de novo. O limite é o inimigo do excesso, e excesso, como jah vimos, nao é legal).

Acho que o moral da historia é: também tenho dificuldade em comprar roupa porque os tamanhos no Brasil foram todos diminuidos e hoje em dia o maximo de grandeza que se acha numa loja normal é 46, e em geral é um 46 com cara de 44. Mas também sei que nao custa nada eu fazer um esforcinho, comer como uma pessoa normal em vez de como um estivador, e poder vestir 44 em vez de 46. Eh melhor pra mim, e é melhor pra todo mundo. Porque nao custa nada tentar fazer parte dos que embelezam o mundo, em vez dos que enfeiam.

Lendo o artigo da Cora

Lendo o artigo da Cora no Globo sobre livrarias (vao lah no blog dela que tem o link, estou com preguiça), lembrei de dois episodios bookstore-related, sempre na Shakespeare, ali no Jardim Botanico.

Foi onde eu comprei meus primeiros exemplares de The Lord of the Rings. Eu tinha começado a ler The Hobbit na casa da Brenda, porque dormi na casa dela na noite da final da Copa (aquela do Baggio e o gol perdido), e como sempre sou a primeira a acordar e nao tinha nada pra fazer, estiquei a mao, peguei o livro e comecei a ler. Vicio instantaneo, desnecessario dizer. No dia seguinte lah fui eu com uns trocados escondidos dentro do tenis, de bicicleta até a Shakespeare. Comprei uma ediçao caixinha, com os quatro livros, que hoje nao cabem mais juntos na caixa porque jah foram lidos tantas vezes que as lombadas incharam. Lembro de tirar o tenis, aquele Reebok preto basico que todo adolescente teve (ou tem, sei lah…), e pagar pelos livros com dinheiro umido de suor de pé (eca). Se eu soubesse onde essa historia ia me levar… Se eu nao tivesse conhecido um romano na internet, nao por acaso num MUSH de Tolkien, que me convenceu a estudar italiano em vez de frances, talvez hoje eu estivesse em Paris. Estranha, a vida.

A outra vez foi quando eu voltei à Shakespeare com a Newlands, pra procurar sei lah o que – acho que era Guy Gavriel Kay (leiam The Fionavar Tapestry, crianças, é otimo. Tigana também é legal. Jah A Song for Arbonne é um pé no saco). Fomos informadas que no porao tinha uma bagunça enorme de livros, e que o que procuravamos provavelmente estava lah. Lah fomos nos, excursionar naquela farofa de livros, derrubar pilhas de livros, fuçar em estantes empoeiradas cheias de livros, em um porao cheio de livros. Soh nao nos demoramos mais porque a Newlands é alérgica a poeira. Eu por mim ficava lah toda vida…

P.S.: Nunca comprei na Amazon porque nunca tive cartao de crédito ;) Meu contato mais intimo com livrarias online foi o Faeries, de Brian Froud e Alan Lee, que o Hiro me fez o favor de incluir em uma das suas longuissimas listas de compras em livrarias virtuais, e depois me entregou no cinema Leblon. Que filme era, eu nao lembro – provavelmente um desenho da Disney, legendado, obviamente.

O ultimo que vimos juntos foi Lilo e Stitch, infelizmente dublado. Po, que saudade…

E eu fico lendo esses

E eu fico lendo esses blogs de brasileiros espalhados pelo mundo, gente que tah em lugar frio, todo mundo adorando neve e as baixas temperaturas… Po, frio é um PEH NO SACO! Um grandissimo pé no saco! E olha que aqui faz frio, mas nada muito escandinavo. E mesmo assim minhas maos estao sempre naquele processo gradativo de deteriorizaçao, meus labios sangram mesmo eu tendo aumentado meu consumo de Blistex, meus cabelos nao secam e depois de lava-los de manha tenho que ficar horas sentada do lado da lareira esperando secar, os pés estao sempre gelados e tem briga por um lugar na frente da lareira na hora do jantar porque todo mundo quer descongelar os pezinhos… Eu ultimamente acordo toda roxa, de tanto que me contraio os musculos de frio de noite. E olha que o Mirco também é friorento, o termosifone fica ligado no maximo, a cama é estreita… Lavei meu cabelo hoje às dez da manha. Sao quase 8 da noite e ainda estao umidos (tah bem, eu tenho o triplo de volume capilar de uma pessoa normal, mas mesmo assim nao justifica!). E hoje realmente a ultima gota: saih do escritorio pra voltar pra casa, e as portas do carro nao abriam. Tudo congelado. Limpadores de para-brisa idem. Vidros elétricos idem. Tudo colado com o gelo. Depois de muito penar consegui entrar e ligar o aquecimento e o desembaçador, e passados uns 20 minutos consegui ter uma visao mais ou menos razoavel da estrada à minha frente. A 30 km por hora, morrendo de medo de derrapar no gelo na estrada, levei séculos pra chegar em casa, em vez dos 5 minutos usuais. FRIO EH UM PEH NO SACO. Ou melhor: qualquer coisa que nao seja um clima temperado é um pé no saco.