faz-me rir

O Instituto Márcia Aguiar de Expat-Pampering me enviou, diretamente da sua Biblioteca de Assuntos Sérios e Profundos, um exemplar da revista Claudia de julho, que lerei com avidez. Chegou hoje.

Uhuuuuuuuu! :)

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Depois de “se você não gostou de Berlim, deve ser uma neguinha da Rocinha que comprou o diploma”…

Depois de “o vizinho coreano da Hunka quando cozinhava empesteava o prédio”, logo “você não é polida, faz chacota e desmereceu a cozinha de uma nação inteira”…

Vem aí, diretamente da comunidade Brasil do Iogurte

…o mais novo membro da Coleção Imperial pacamanca de Silogismos de Quem Não Tem o Que Fazer e Adora Distorcer o Que os Outros Dizem:

…”eu não moro mais no Brasil”, logo “sou indigente e desertora, e não tenho mais o direito de dar pitaco no que acontece lá!”

Quando você acha que já ouviu de tudo nessa vida…

ai meu zovido

Dez pras dez da manhã. Da janela aqui do escritório ouço Suely Maria cantando “solos de guitarra não vão me conquista-ar, uuuuuuuuuuuuuuu eu quero você, como eu quero…”.

Por que é que não existe teletransporte ainda mesmo, hein?

africanos, javali, Kinder Ovo

Pra compensar o tédio do dia de ontem, a serata foi ligeiramente bizarra, embora tranquila. Lá pras sete e meia da noite, eu batendo papo no ICQ e discutindo a existência ou não de dialetos no Brasil (…) via orkut, o lanterneiro me liga dizendo pra eu descer que íamos comer fora, e traz também um par de meias limpas e um suéter que tá frio. Ele estava voltando de uma das empresas pras quais ele pinta as peças de maquinário industrial, ou seja, estava com o bendito caminhão vermelho – aquele da carona fatídica. Lá fomos nós sacolejando até a oficina. Deixei o menino tomando banho lá mesmo e fui dar uma carona ao Nerone (leia-se Negão), aquele de Costa do Marfim que estava presente no almoço do dia do Trabalho (tudo nos arquivos). Ele mora lá no cu do judas, numa casa de fazenda, digamos, numa propriedade de cultivo de tabaco. Até chegar lá, ainda mais porque chovia horrores e não dava pra ir a mais de 70, falamos novamente de todas as frutas boas que nós tropicais temos e aqui não rolam. Ele esteve de volta ao seu país mês passado porque sua mãe morreu, e quando alguém morre fazem festa e coisa e tal. Ele disse que tirou a barriga da miséria em termos de banana, manga, mamão, abacate, maracujá, “abacaxi de verdade, não esse em lata que tem aqui”. Aí eu, inocente e curiosa que sou, caí na asneira de perguntar qual era a religião oficial de Costa do Marfim. Pronto. Ele desandou a falar de tudo que é religião pela qual já passou, e à medida em que se empolgava com o assunto ia caindo no Francês, de modo que no final das contas ele queria porque queria que eu conhecesse a sua igreja evangélique, porque a catolique não tava com nada e coisa e tal, a evangélique resolvia completement toute os seus problemas, curava todas as maladie, e por aí vai. Dispensei-o correndo antes que o ataque de riso viesse e voltei pra oficina. Mirco sai cheiroso e barbado do portão e lá vamos nós a Petrignano.

De todas as sagras que rolam aqui no período de maio até setembro, a minha preferida, pelo menos em termos de menu, é de longe a sagra do javali de Petrignano. Ano passado também fomos e comemos muito bem. Esse ano não foi diferente. Mas vejam a organização italiana a que ponto chega: quando saí de casa chovia forte, mas pensei, não vou levar guarda-chuva porque com certeza o pátio onde fica a caixa vai virar estacionamento, pertinho da entrada do galpão, e não vamos precisar caminhar na chuva. Com certeza vão transferir a caixa pra dentro do galpão, pra neguinho não precisar pegar chuva enquanto faz fila pra pagar.

Apesar de só ter 3 pessoas na nossa frente, sabe como é, neguinho aqui não sabe fazer fila e ponto final. Bastaria ditar o seu pedido, é tão simples: due pappardelle al cinghiale, una torta con salsiccia e verdura, un’acqua minerale naturale e una birra media. Mas nãaaao, jacaré, nada é simples aqui no interior do Haiti. A loura gorda com um guarda-chuva imenso ficou horas parada em frente ao caixa, pensando, contando nos dedos quantos membros da família estavam presentes, berrando pros filhos, parados dentros do galpão pra se proteger da chuva, quem queria torta con Nutella, se a cerveja do marido era grande ou média. E nós, pobres-coitados, em pé na chuva, protegidos apenas por uma jaqueta jeans apoiada sobre nossas cabeças. Junte-se a isso a lerdeza incompetente e caipira do careca da caixa, e vocês têm uma idéia do tempo que levamos pra conseguir fazer o pedido.

Pelo menos a comida chegou rápido, porque tinha pouca gente. E é aqui que eu queria chegar. ALGUÉM POR FAVOR VENHA ME VISITAR! Eu PRECISO compartilhar pappardelle al cinghiale com alguém. Preciso! Eu teria comido, fácil fácil, três pratos de macarrão. Juro. O molho delicioso, consistência perfeita, levemente picante, a massa perfeitamente al dente, aaaaaah!!! Da próxima vez vou pedir uma torta sem recheio pra poder passar no molho e não deixar nada no prato. Manjar dos deuses.

Depois deu vontade de tomar sorvete e fomos até S. Maria, à Gelateria Vecchia – a melhor da cidade. Em vez do clássico chocolate, avelã e flocos/nozes/Kinder/Nutella que eu sempre tomo, pedi Kinder, chocolate e avelã ;) Aqui eles têm mania de misturar sabores, ninguém toma sorvete de um gosto só. Mirco foi de panino (leia-se sanduíche), que nada mais é do que um enorme brioche recheado com três gigantescas bolas de sorvete (Kinder, frutti di bosco e fiordilatte). Voltamos pra casa sem nem parar pra visitar o Leguinho, que inevitavelmente nos teria sujado inteiros de lama. Adormecemos com a TV ligada.

Hoje acordamos às seis da manhã, porque estão impermeabilizando o teto do miniprédio em construção aqui em frente, e fazem um barulho danado. Uma neblina lá fora que parece até que é novembro.

Depois do almoço vou a S. Maria pegar as placas do scooter e pagar o seguro. Assim que o tempo melhorar vou dar umas voltas e depois faço o relatório ;)

aulinha

Lição de hoje: diferenças óbvias entre termos obviamente diferentes, mas que mesmo assim neguinho confunde e com isso ESTÃO TORRANDO A MINHA JÁ POUCA PACIÊNCIA.

Preconceito e pós-conceito. Se eu já vi vários filmes de um determinado diretor e achei todos um porre, é provável que eu não vá gostar do próximo que sair. Prefiro nem assistir, porque a possibilidade de não gostar e gastar dinheiro de ingresso à toa é grande. É preconceito, porque julguei antes de ver, mas baseando-me em experiências passadas. Na minha opinião, a imensa maioria dos preconceitos é desse tipo, ou seja, baseado em estatística. Não é nem certo nem errado, nem bonito nem feio: é inevitável, e é um mecanismo de proteção muito eficaz também.

Por outro lado, se eu vi um filme qualquer e achei uma merda, tenho o direito de dizer “achei uma merda”. Atualmente, porém, se o diretor for negro, mulher, homossexual ou pobre, dizer “achei uma merda” imediatamente me transformará em racista, preconceituosa (veja bem, mesmo eu tendo formado o meu conceito DEPOIS de ter visto o filme), e/ou invejosa.

Objetivo e subjetivo. Azul é azul, uma maçã é uma maçã, um pé direito é um pé direito e não um esquerdo, uma mulher promíscua é uma mulher promíscua (doravante chamada piranha). Todos esses conceitos são OBJETIVOS. Feio é subjetivo, chato é subjetivo, gostoso é subjetivo, fedorento um pouco menos subjetivo.

O adjetivo/substantivo piranha não é, nunca foi e jamais vai ser subjetivo. Assim como azul, maçã e pé direito também não o são. Piranha só vai ser usado preconceituosamente quando eu chamar de piranha uma mulher cujos hábitos sexuais não conheço e cuja atitude e postura não dão indicações de comportamento promíscuo.

p.s.: Não vou ficar aqui discutindo quantos parceiros uma pessoa deve ter pra ser considerada promíscua. A OMS determinou 2 parceiros diferentes por ano, o que me parece às vezes razoável, às vezes ridículo. O número exato de parceiros que transforma uma pessoa em piranha é subjetivo até um certo ponto; “um monte de parceiros” não precisa se referir a um número exato pra permitir a compreensão do conceito de piranha. Tenho certeza de que qualquer pessoa equilibradazinha entende o que eu quero dizer.

Relatar e criticar/achincalhar.

Bom, se eu precisar explicar esse tipo de diferença aos meus ótimos leitores, melhor fechar o blog.

O pior cego é o que não quer ver.
E não adianta tapar o sol com a peneira.

zip

Mirco comprou uma vespa – lambreta, motorino, scooter. É preta, bonitinha, pequenininha, de 94, e custou € 200. Estão fazendo uma super revisão nela, as placas ficam prontas sexta à tarde, e já compramos o capacete, que é cinza metálico.

Eu odeio qualquer coisa na cabeça, chapéus, boinas, you name it. Fiquei ridícula com o capacete, como uma tartaruga ninja cabeçuda. Mas se o scooter consome menos que o carro, tá valendo! Tô cansada de gastar meus pouquíssimos euros em gasolina pra Punto, coitada, que é uma delícia de dirigir e tem valor afetivo, mas bebe feito um gambá.

Fora que é uma delícia andar de scooter! Eu sou super atolada e vou ter que aprender a pilotar o Zip (o scooter é Piaggio, modelo Zip) sem cair por aí, mas estou gostando da idéia. Minha primeira vez num scooter foi em Roma, com meu amigo Guido, e adorei! No verão não tem coisa mais gostosa, principalmente à noite. Pena que meu Zip é pequeno e de baixa cilindrada, e não dá pra dar carona pra ninguém, senão vou presa hohoho

Bananão

Tá rolando uma propaganda no rádio que me faz rolar de rir.

O produto é um suco de frutas tropicais/exóticas que se chama, vejam quanta originalidade, Brazil. Eu adoro suco de frutas e aqui, na falta de uma boa loja de sucos na esquina, neguinho se arranja com sucos de caixinha mesmo. Os sabores são os mais variados, e na maioria das vezes são bem gostosos. Esses tropicais normalmente têm tanta fruta misturada que não dá pra sentir o gosto de nada direito – é o caso desse Brazil, que eu já experimentei e não entendi bem o que tinha lá dentro. Deve ter umas dezoito frutas juntas, o sabor fica confuso, o céLebro não entende direito o que está rolando. Mas enfim, só de ver uma foto de um maracujá na embalagem eu já fico feliz.

A propaganda do rádio é assim: um homem, supostamente brasileiro, desfia um rosário de nomes de frutas.

– Ah, bananao, papaiao, ananasao (eles não conhecem abacaxi, só ananás), maracujá, laranjao…

(os italianos acham que todas as palavras em espanhol terminam com S e todas as palavras em português terminam com ão. Como eles não conseguem fazer o ão anasalado, deixei a fala do homem sem til mesmo, como eles pronunciam aqui)

Um outro, supostamente amigo desse brasileiro, diz, em italiano:

– Tá, já entendi, é o suco do seu paisao!

Eu sei que parece bobo, mas é muito engraçado. Bananão é MUITO engraçado.