today’s best song ever

Deep down in Louisiana, close to New Orleans,
Way back up in the woods among the evergreens
There stood a log cabin made of earth and wood,
Where lived a country boy named Johnny B. Goode
Who never ever learned to read or write so well,
But he could play the guitar just like a ringing a bell.
(Chorus)

Go Go
Go Johnny Go
Go Go
Johnny B. Goode

He used to carry his guitar in a gunny sack
Or sit beneath the trees by the railroad track
Oh, the engineers would see him sitting in the shade,
strumming with the rhythm that the drivers made.
The people passing by, they would stop and say
Oh my that little country boy could play

(Chorus)

His mother told him someday you will be a man,
And you will be the leader of a big old band.
Many people coming from miles around
To hear you play your music when the sun go down
Maybe someday your name will be in lights
Saying “Johnny B. Goode Tonight”

(Chorus)

ventania

Tá ventando pra burro. Já cheguei à conclusão de que os italianos têm uma ponta de razão quando dão a culpa de tudo ao vento. Toda vez que o vento sopra forte assim, e gelado assim, eu fico com dor de cabeça.

Meu aluno endocrinologista me receitou almotriptan contra a crise de enxaqueca. Custa uma fortuna e resolvi dar um pulo na minha médica de família, uma vesguinha muito boazinha, pra ver se ela me dava uma receita daquelas vermelhinhas, que me permitem de pegar o remédio de grátis na farmácia. Acabou que ela me deu uma amostra grátis com três comprimidos. Devo tomar um assim que começarem os sintomas iniciais da enxaqueca (eu não tenho aura, pulo diretamente pra cefaléia e dali pra enxaqueca homicida), mais um, depois de duas horas, se não sentir nenhuma melhora.

Hoje de manhã fiz um milhão de quilômetros, entre bancos, correios, padaria, escritório do Roberto pra deixar um negócio pra ele que o Mirco consertou, galpão de cliente pra deixar o cesto de Natal, oficina, onde botei umas faturas em ordem. Todo esse entra-no-carro-aquecido e sai-pro-vento-gelado repetido mil vezes não pode fazer bem a ninguém. Resultado: já tá a pontada atrás do olho esquerdo me atazanando outra vez. Mas não quero tomar nada, porque a enxaqueca bombástica mesmo só vai vir daqui a quatro semanas, se for uma menina pontual, e quero fazer um teste pra ver se o almotriptan funciona. Vamos ver se com um paracetamolzinho passa essa dorzinha. Já almocei (massa curta com atum refogado na cebola, cenoura meio crua, meio cozida, e milho) e agora vou ver o Comissário Rex antes de encarar outros quilômetros pra lá e pra cá, e depois finalmente dar aula de português à Quarentona Estressada.

parem de fumar, suas malas!

E o bafafá da semana é que a partir de dez de janeiro vai ser proibido fumar em lugares públicos. Bares e restaurantes que não puderem fazer uma área separada pros fumantes vão ter que simplesmente virar locais pra não-fumantes. Depois da Irlanda e do surpreendente Butão, finalmente a Bota parece que vai dar um passo adiante no quesito civilização, coisa que anda em baixa por aqui há muito tempo.

Então eu vou contar pra vocês a epopéia que é essa lei: já tá tramitando há séculos (desde que eu vim estudar aqui, em 2002, que escuto essa história), mas toda hora neguinho pedia pra adiar, adiar, adiar, sabe como é, mas agora parece que a coisa vai mesmo, e mesmo assim tem gente pedindo mais 6 meses pra se adaptar! Ora, por favor!

E vou contar pra vocês também o argumento idiota, imbecil, retardado, sem sentido, mentiroso, forçador de barra que os proprietários dos locais usam: que a freqüência vai cair porque os fumantes vão parar de ir a lugares onde não podem fumar. HAHAHAHA Faz-me rir! Era a mesma coisa que se dizia quando proibiu-se o cigarro nos cinemas e teatros. Aaaaaah ninguém mais vai ao cinema se não puder fumar, vão todos falir, oooooooooh.

Não preciso nem dizer que não aconteceu nada disso e neguinho se acostumou. Acostuma-se com praticamente tudo nessa vida, e onde o bom senso não existe, infelizmente tem-se que dar porrada na cabeça – nesse caso, criar uma lei e aplicar multas aos desobedientes. Mas convenhamos: vocês acham realmente que um cara vai deixar de ir à sua pizzaria preferida só porque lá não se pode fumar? Vocês realmente acham justo que esse fumante possa se dar ao luxo de reclamar seu direito de ir comer lá? Ora, vão todos tomar no cu, o meu direito de manter meus pulmões limpos e meus cabelos cheirosos são infinitamente mais importantes do que o seu direito de se envenenar, feder, ter dentes e unhas amarelos, ser impotente, canceroso e cardiopata, ter envelhecimento precoce e fôlego reduzido! Mas façam-me o favor! Não me venham com chorumelas!

Ouvi entrevistas de chefs na TV dizendo que acharam ótima essa idéia, apesar de acharem que o movimento nos restaurantes provavelmente vai cair logo depois da implantação da lei. Claro, né: quem fuma tem o paladar reduzido e não é capaz de apreciar totalmente os esforços de um chef aplicado. O garçom de um restaurante que freqüentamos, em Assis, nos confidenciou que sua última radiografia de tórax deu um susto no doutor, que perguntou quantos maços de cigarro ele fumava por dia. Resposta: nenhum, doutor, mas eu trabalho numa pizzeria onde é permitido fumar. Já há algum tempo esse restaurante, que também faz uma pizza ótima e no verão tem um jardim maravilhoso onde se pode comer sob as árvores, proibiu o fumo no salão interno. Agora no inverno eles infelizmente liberaram um pouco porque os fumantes não têm como sentar lá fora, porque tá um frio do cacete (e eu digo: FODAM-SE ELES!), mas mesmo assim não há mais cinzeiros nas mesas. O garçom tá contentão. Agora eu me pergunto: no verão, se eu quiser comer lá fora, onde é mais fresco e mais bonito, se tiver alguém fumando na mesa ao meu lado e conseqüentemente me irritando, eu vou ter o direito de reclamar?

Sou mais a Califórnia, onde até fumar em alguns locais abertos é proibido. Não importa se tem toda a ionosfera por cima das nossas cabeças; gente fumando do meu lado incomoda, me deixa fedorenta, impede que eu sinta o sabor da comida, e por isso eu vou reclamar SEMPRE.

os mais e os menos

E saiu o sempre tão esperado ranking de “vivibilidade” das províncias italianas, feito todo ano pelo jornal Il Sole 24 Ore (clique em Bologna Regina del 2004 pra abrir um arquivo .pdf com o artigo do jornal). Bolonha, que sempre ficou em ótima colocação, esse ano ficou em primeiro lugar. Em segundo, Milão, e em terceiro, Trento. Roma ficou em 14o lugar, coitada, e a pobre Perugia é a 74a! As piores são todas do sul: em último lugar, pelo segundo ano consecutivo, Messina, na Sicília.

findi

Ontem tivemos um dia cheio – cheio de programas inusitados. Mirco trabalhou até as quatro da tarde, e eu fiquei em casa dando uma faxinada, passando roupa, dando uma engatilhada no almoço – enfim, ameliando. Almoçamos um risotinho básico de abobrinha, salmão e açafrão, e logo depois chegaram Peppone e um casal de amigos. Esse casal vai passar dez dias em NY em janeiro e queria dicas do que ver, onde dormir, etc. O lance é que o Mirco sempre viajou muito, então todo mundo que quer dicas de viagem vem encher o saco dele. Pois então; esse casal é muito simpático. Ela é esperta pra caramba, apesar da combinação scarpin de cobra de salto altíssimo + jeans D&G + suéter de tricô com capuz, muito esportivo. O namorado é o clássico salame roedor de unha, mas bonzinho. Eles ficaram aqui até quase as seis, e depois que foram embora nos mandamos pro cinema.

Vimos Ocean’s Twelve, e achamos uma bosta. Não uma bosta comparada com Ocean’s Eleven; uma bosta mesmo. Roteiro esburacado, silêncios irônicos que não têm graça, private jokes, e inúuuuuuuuuuumeras forçações de barra. Só vale porque grande parte do filme se passa em Roma, que vocês tão carecas de saber que é tudo na vida, e porque tem o George, e porque a Zeta-Jones está absolutamente deslumbrante, com um corte de cabelo que ficou ó-te-mo.

E depois do cinema e de um sanduichinho na Pans & Company do shopping fomos pra casa do Roberto, em Santa Maria. Tínhamos sido convidados pra jogar Pictionary (tipo um Imagem e Ação, lembram?) com Roberto, Cristiana e outro casal de amigos, mas acabamos jogando outras coisas. Um jogo se chamava Taboo e é bem legal: você tira uma carta do maço e tem o tempo da ampulheta pra fazer os seus companheiros de time descobrirem a palavra escrita na carta, sem em nenhum momento mencionar certas palavras que também estão na carta – essas são as palavras-tabu. Por exemplo: a palavra que meu grupo tem que adivinhar é espelho, e as palavras tabu são reflexo, imagem, etc. Parece fácil, mas em certos casos você tem que dar uma volta danada pra chegar na bendita palavra. Até deu pra rir, mas nem eu nem Mirco somos pessoas particularmente competitivas, e não gostamos de jogar coisa nenhuma; o Mirco só gosta de competir com ele mesmo, e eu não gosto de competir com ninguém, principalmente comigo mesma. Mirco errou todas, não conseguiu fazer ninguém adivinhar nada, ficou nervoso e estressado, e acabou não se divertindo. Depois jogamos um negócio com cartas e uma maquininha que cospe cartas em você; esse é legal, mas a gente demorou tanto pra montar a maquininha e entender as regras que depois de duas rodadas já era mais de meia-noite e ninguém se agüentava mais em pé. Fomos pra casa e chapamos imediatamente.

aiaiai

Acabo de ver no suplemento gastronômico do telejornal uma receita de chocolate quente que me deixou vendo estrelas. É o chocolate quente mais famoso de Florença, do café Rivoire, bem na praça principal da cidade. Eu nunca experimentei, mas a cor do negócio, pelo menos na TV, era linda. O lance é o seguinte: mistura-se leite e água (mais leite do que água, não entendi direito as proporções porque estava hipnotizada pelo chocolate), chocolate gianduia (pouco) e cacau em pó (o que já vem açucarado). Deve-se deixar ferver, depois desliga-se o fogo até a fervura sumir, depois ferve-se de novo, depois desliga-se o fogo de novo, umas duas ou três vezes. O que fica é um líquido cremoso mas não exagaradamente cremoso, escuríiiiiiiiiiiiiiissimo, e que deve ser realmente um manjar dos deuses. Nem vou experimentar. É mais seguro.

XV

O rapaz acordou muito bem disposto no outro dia, estava, ou pelo menos parecia, restabelecido completamente. Os ares tonificantes de Santa Teresa produziram-lhe efeitos miraculosos.

– Até que enfim podia mandar ao diabo os xaropes e as tisanas que, de tempos a essa parte, lhe melancolizavam a vida e relaxavam o estômago. E, ainda metido entre os lençóis, na matinal preguiça das sete e meia, dispunha-se a filosofar sobre o ridículo episódio da véspera, quando um leve rumor na porta do quarto lhe desviou o curso das idéias. Era a menina que trazia o café.

Viu-lhe a pálida mãozinha medrosamente sordir por entre a fisga da porta mal cerrada, para depôr no chão, como era de costume, a chávena de porcelana. Amâncio, porém, desta vez saltou da cama e, correndo de gatinhas, a empolgou nas suas.

A mãozinha quis fugir, ele não consentiu, e com ela veio um braço que as folhas da porta arremangavam.

Começou a beijá-lo sofregamente, desde a ponta dos dedos até os biceps; enquanto Amélia, sempre escondida ia consentindo, toda ela arrepiada em cócegas.

– Um beijinho… pediu ele, mostrando o rosto.
– Logo!
– Com certeza?…
– Com certeza!

E a pequena desapareceu muito ligeira, – tique, tique, tique, pela escada.

Pouco depois combinaram a primeira entrevista. Ela subiria ao sótão, logo que a casa estivesse completamente recolhida. Amâncio que a esperasse no escuro e com a porta do quarto apenas cerrada.

O rapaz não pôde ficar tranqüilo nem mais um instante.

As horas nunca lhe pareceram tão longas e as conversas tão intermináveis. Um sobressalto feliz perturbava-o todo, tirava-lhe o apetite e não lhe permitia um pensamento que não fosse cair aos pés de Amélia.

Por maior caiporismo, o Dr. Tavares tinha essa noite uma visita que parecia disposta a não largá-lo. Era um velho de sua província, muito falador de política, apaixonado pelas eleições, pelos conservadores, mas que, nem à mão de Deus Padre, pronunciava os rr e os ss e dizia: “Os partido liberá, os senadô”, e outras barbaridades.

– Quando se irá este cacete?… pensava Amâncio, trêmulo de impaciência.

E o Tavares a puxar pelo demônio do homem, a fazer-lhe perguntas sobre perguntas e a despejar contra ele a sua retórica inexaurível.

Até o guarda-livros que às vezes passava dias e dias sem dar uma palavra, estava essa noite disposto a falar pelos cotovelos. Ainda pilhara o chá e, repimpado na cadeira, com um brilhante a luzir num dedo, o ar satisfeito, os punhos bem engomados, taramelava a respeito dos seus projetos de casamento. “Sim, que ele, havia coisa de ano e meio, estava para desposar uma linda menina e de educação esmeradíssima. Já há que tempos a pedira!… Só esperava que a casa, onde trabalhava desde os seus quinze anos, lhe desse sociedade, como aliás, havia já prometido. – Ah! Toda a sua ambição era fazer família! Que vidinha melhor que a do casado?… o matrimônio era um complemento do homem… A gente enquanto moça não sentia a falta da esposa, mas depois?… quando chegasse a velhice?… Aí é que seriam elas! Não! não podia admitir um eterno celibato!… A vida do solteiro tinha seus encantos, tinha, para que negar?… os espinhos, porém, eram em maior número; se eram!…”

E citava os casos.

Amâncio retirou-se da varanda, sufocado de raiva. Preferia esperar no quarto.

Deram onze horas. Amelinha pediu licença e também se recolheu. Mme. Brizard, à cabeceira da mesa, já bocejava, entretendo os dedos a fazer pílulas das migalhas de pão que ficaram do chá; o marido, ao lado dela, estudava mecânica racional.

Veio finalmente o copeiro levantar a mesa e buscar o César para a cama. O guarda-livros apertou as mãos de todos e sumiu-se; o sujeito dos partido liberá, a despeito das insistências do amigo, despediu-se igualmente e, quando o advogado, que o fora acompanhar até o portão da chácara voltou à varanda, já não encontrou ninguém.

Em pouco a casa era toda silêncio e trevas. Então, Amelinha, deixou o quarto sorrateiramente, tirou as botinas, apanhou as saias e galgou a escada do sótão.

Amâncio, que a esperava na porta, logo que a teve ao alcance da mão, puxou-a para dentro, e deu uma volta à fechadura.

Casa de Pensão, Aluísio Azevedo
Editora Ática, 2a edição

XV

O rapaz acordou muito bem disposto no outro dia, estava, ou pelo menos parecia, restabelecido completamente. Os ares tonificantes de Santa Teresa produziram-lhe efeitos miraculosos.

– Até que enfim podia mandar ao diabo os xaropes e as tisanas que, de tempos a essa parte, lhe melancolizavam a vida e relaxavam o estômago. E, ainda metido entre os lençóis, na matinal preguiça das sete e meia, dispunha-se a filosofar sobre o ridículo episódio da véspera, quando um leve rumor na porta do quarto lhe desviou o curso das idéias. Era a menina que trazia o café.

Viu-lhe a pálida mãozinha medrosamente sordir por entre a fisga da porta mal cerrada, para depôr no chão, como era de costume, a chávena de porcelana. Amâncio, porém, desta vez saltou da cama e, correndo de gatinhas, a empolgou nas suas.

A mãozinha quis fugir, ele não consentiu, e com ela veio um braço que as folhas da porta arremangavam.

Começou a beijá-lo sofregamente, desde a ponta dos dedos até os biceps; enquanto Amélia, sempre escondida ia consentindo, toda ela arrepiada em cócegas.

– Um beijinho… pediu ele, mostrando o rosto.
– Logo!
– Com certeza?…
– Com certeza!

E a pequena desapareceu muito ligeira, – tique, tique, tique, pela escada.

Pouco depois combinaram a primeira entrevista. Ela subiria ao sótão, logo que a casa estivesse completamente recolhida. Amâncio que a esperasse no escuro e com a porta do quarto apenas cerrada.

O rapaz não pôde ficar tranqüilo nem mais um instante.

As horas nunca lhe pareceram tão longas e as conversas tão intermináveis. Um sobressalto feliz perturbava-o todo, tirava-lhe o apetite e não lhe permitia um pensamento que não fosse cair aos pés de Amélia.

Por maior caiporismo, o Dr. Tavares tinha essa noite uma visita que parecia disposta a não largá-lo. Era um velho de sua província, muito falador de política, apaixonado pelas eleições, pelos conservadores, mas que, nem à mão de Deus Padre, pronunciava os rr e os ss e dizia: “Os partido liberá, os senadô”, e outras barbaridades.

– Quando se irá este cacete?… pensava Amâncio, trêmulo de impaciência.

E o Tavares a puxar pelo demônio do homem, a fazer-lhe perguntas sobre perguntas e a despejar contra ele a sua retórica inexaurível.

Até o guarda-livros que às vezes passava dias e dias sem dar uma palavra, estava essa noite disposto a falar pelos cotovelos. Ainda pilhara o chá e, repimpado na cadeira, com um brilhante a luzir num dedo, o ar satisfeito, os punhos bem engomados, taramelava a respeito dos seus projetos de casamento. “Sim, que ele, havia coisa de ano e meio, estava para desposar uma linda menina e de educação esmeradíssima. Já há que tempos a pedira!… Só esperava que a casa, onde trabalhava desde os seus quinze anos, lhe desse sociedade, como aliás, havia já prometido. – Ah! Toda a sua ambição era fazer família! Que vidinha melhor que a do casado?… o matrimônio era um complemento do homem… A gente enquanto moça não sentia a falta da esposa, mas depois?… quando chegasse a velhice?… Aí é que seriam elas! Não! não podia admitir um eterno celibato!… A vida do solteiro tinha seus encantos, tinha, para que negar?… os espinhos, porém, eram em maior número; se eram!…”

E citava os casos.

Amâncio retirou-se da varanda, sufocado de raiva. Preferia esperar no quarto.

Deram onze horas. Amelinha pediu licença e também se recolheu. Mme. Brizard, à cabeceira da mesa, já bocejava, entretendo os dedos a fazer pílulas das migalhas de pão que ficaram do chá; o marido, ao lado dela, estudava mecânica racional.

Veio finalmente o copeiro levantar a mesa e buscar o César para a cama. O guarda-livros apertou as mãos de todos e sumiu-se; o sujeito dos partido liberá, a despeito das insistências do amigo, despediu-se igualmente e, quando o advogado, que o fora acompanhar até o portão da chácara voltou à varanda, já não encontrou ninguém.

Em pouco a casa era toda silêncio e trevas. Então, Amelinha, deixou o quarto sorrateiramente, tirou as botinas, apanhou as saias e galgou a escada do sótão.

Amâncio, que a esperava na porta, logo que a teve ao alcance da mão, puxou-a para dentro, e deu uma volta à fechadura.

Casa de Pensão, Aluísio Azevedo
Editora Ática, 2a edição

olha os otomanos aí, gente

Ih, rapaz. Deram à Turquia a chance de negociar sua entrada na União Européia! O que faltava era que a Turquia aceitasse a existência de Chipre, e hoje parece que rolou esse reconhecimento. Fala-se do início das negociações de entrada no final do ano que vem. Se a Turquia entrar mesmo na CE, vai ser um evento de bombásticas repercussões. Um Estado muçulmano encravado na CE! Um país que já deu trabalho pra todo mundo do Mediterrâneo em outros carnavais, e com o qual toda essa parte do planeta tem pinimbas históricas! Uma nação pobre que já manda imigrantes pra Alemanha a torto e a direito agora, imaginem se vierem a fazer parte da comunidade! Imaginem o samba do crioulo doido que isso não vai dar. Estou curiosíssima.

pedro, o escamoso

O escândalo da semana é uma enfermeira que matou não sei quantos pacientes com injeção de ar, “pra se sentir importante”. A mulher é deprimida há anos e toma vários psicotrópicos, e a questão agora é quem diabos deixou uma pessoa tão psicologicamente instável trabalhar com pacientes terminais. Claro que a criatura não dava nenhum sinal de instabilidade e por isso ninguém é culpado de não ter percebido; ela que não é boba de preencher formulário pedindo emprego respondendo “sim” a perguntas do tipo “Você é deprimida? Sofre de instabilidade emocional grave? Faz uso de psicotrópicos? Foi você quem fez a sua mala? Já fez parte de grupos terroristas?”.

Toda hora rola uma história estranha desse tipo por aqui. Mãe que mata filho, marido que mata a mulher, neto que mata a avó, primo que mata a namorada, noivos que pulam juntos da janela e morrem abraçados. A criminalidade dita “normal”, aquela que conhecemos bem no Brasil, fica quase sempre por conta dos imigrantes. Os assassinatos entre clãs mafiosos no sul praticamente não são problema de ninguém, só da máfia mesmo, a não ser que você dê muito azar de estar no lugar errado na hora errada, ou então de se parecer com alguém que está com os dias contados. Mas essas maluquices, esses crimes passionais, esses suicídios de adolescentes, são coisas de italiano dramático mesmo. E a mídia adora, e o público adora, e fica remoendo essas histórias hediondas por meses a fio. Ô gente pra gostar de um dramalhão mexicano!