Eu sempre soube que era

Eu sempre soube que era velha de espírito, mas de vez em quando ainda me surpreendo… Eu adoro bater papo com velho; na época do ambulatório de Endocrinologia quase apanhava do professor porque em vez de examinar ficava ouvindo histórias e trocando receitas de pavê, mas eu sempre acabo aprendendo alguma coisa interessante, velho tem tanta coisa legal pra contar. Hoje fui a Teresópolis, na casa de um antigo vizinho da família (da época em que minha mãe era pequena e morava no *ui* Rocha) – a mãe dele fez 90 anos hoje. Repito: uma feijoada de aniversário em que a aniversariante tem 90 anos, o que significa que a média de idade da galera tinha que ser medida através de carbono 14. Mas tudo bem, lá fui eu, de van (coisa bem pimba – confortável, mas pimba), com aquele bando de fósseis ao meu redor. Chego lá, mais fósseis, tudo gente de Neanderthal – mas sabe que eu me diverti? Eu sou muito falante, matraca mermo, mas com velho eu tendo a ficar quieta e só escutar, e sempre me divirto ou aprendo alguma coisa, ou ambos :) Ainda por cima tinha a neta do dono da casa, uma figurinha de 4 anos de idade – eu perguntei se ela sabia contar histórias, ela disse que não, mas que sabia amarrar, e aí estendeu a perna pra mim, desfez o laço do tênis e amarrou de novo, toda orgulhosa :)

Normalmente não me incomodo de ser velha assim, mas tem vezes que eu me sinto tão alienígena! Nenhuma amiga minha, eu acho, agüentaria uma tarde museológica como a que eu passei hoje. Pô, acho que eu sou mais estranha do que eu achava.

Eu e as meninas estamos

Eu e as meninas estamos absolutamente obcecadas com a viagem à Itália (mas, convenhamos, você também não estaria?), sonhamos com isso, só pensamos nisso, fazemos mil planos, desenhamos mapas, recortamos notícias, cruzamos dados, consultamos livros… Ai como é boa essa fase pré-viagem :)))

Uma coisa que eu comentei

Uma coisa que eu comentei com o italiano outro dia e só mais tarde parei pra pensar: como eu custei a descobrir as felicidades de ser menininha! Até pouco tempo atrás eu vivia de calça de moletom, não tinha um potinho de creme hidratante no armário e muito menos batom. Aí de repente virei viada, fresca, patrícia. Não sei que bicho me mordeu. Mas, de qualquer maneira, como ele mermo disse, a gente se diverte muito mais do que eles, em termos de roupas e afins. Eu atualmente acho divertido comprar roupas (ou pelo menos menos sacal do que sempre achei, embora meus sentimentos em relação a comprar roupas estejam definitivamente ligados ao meu peso no momento das compras) e creminhos e maquiagem. Estou tentando passar um pouco dessa felicidade de ser menina pra minha amiga gringa. Americano é muito molambo, caramba! Eita povinho desprovido de graça e elegância!

Já os italianos… ;)

. Colação de grau é

. Colação de grau é um porre pra quem está assistindo, mas eu me diverti horrores lá no meio da galera no palco. Já tínhamos feito um monte de cartazes em Cabo Frio, a maioria feita por mim, já que eu tendo a fazer as coisas em escala industrial enquanto as pessoas normais fazem tudo em velocidade normal – mais lentamente do que eu, I mean. O povo na hora apareceu com uns cartazes novos, dei muita risada, soprei muito meu apito, reclamei muito do calor e daquele chapéu ridículo, chorei e abracei todo mundo, ou seja, o que se espera de um formando. Engraçado foi ser chamada de roteirista em vez de pediatra ou dermatologista ou simplesmente formanda… :) Engraçado também foi perceber que o diretor da Escola levantou pra ir ao banheiro e simplesmente deu no pé. Esperto, ele…

. Saltos altos são lindos,

. Saltos altos são lindos, mas hoje, depois de cerca de 48 horas da festa, eu ainda não sinto meus dedos do pé esquerdo. Péssimo sinal. Espero que eles não fiquem escuros e mumificados e caiam, feito pé diabético.

Saindo da sessão formatura, acabo de voltar do show da Marisa Monte. Só um comentariozinho básico… Aquela mulher é tudo na vida! Vai cantar bem assim no Timbuktu! Inclusive, agora que em breve não terei mais gringos para entreter, vou ter que arrumar diversão. Já sinto mais vibrações marisamontescas emanando do próximo fim de semana.

Adoro entreter gringo, mas cansa! Falar outra língua o tempo todo é muito cansativo, por mais fluente que você seja. Talvez se eu não falasse tanto… :)

Sessão Formatura: . Meu Deus!

Sessão Formatura:

. Meu Deus! Como é SENSACIONAL ter cabelos lisos! Eu nunca tinha feito escova na vida – achava que pra ter cabelo liso era preciso ser boazinha, e isso eu não sou, far from it – mas pra formatura tinha que fazer alguma coisa diferente, né. TRÊS horas no cabeleireiro – repito, 3 horas – sentada na cadeira, com aquela criatura puxando e esquentando meus pobres cabelinhos. Mas foi a primeira vez na vida que eu tive a chance de ver qual é a real cor do meu cabelo, porque os cachos distorcem a cor. Num é que eu fiquei até bem de cabelo ‘bom’? Fiquei rindo sozinha no salão feito uma maluca, as cabeleireiras todas olhando pra mim, provavelmente pensando que eu tenho vários parafusos a menos, mas é que foi uma experiência tão surreal! Até os homens da festa repararam na mudança, pra você ver como fiquei diferente. Acho que eu sou a única mulher da minha turma que usa o mesmo cabelo desde o início da faculdade.

Hoje foi a primeira vez

Hoje foi a primeira vez que eu recebi flores em toda a minha vida (or sorta), e foram logo 3 buquês, e obviamente nenhum de um ser do sexo masculino. Pior! Foram flores mandadas por amigas da minha mãe! Quem tiver algo mais deprimente pra contar, por favor levante o dedo e conta pra tia aqui, conta.

Ter controle sobre o que

Ter controle sobre o que se come é a coisa mais maravilhosa do mundo. Eu em geral sempre perco pra geladeira. Esse Reductil é mermo sensacional… Eu agora olho pra geladeira e falo, e aí, vai encarar, hein, hein? Não vejo mais sentido em abrir a bichinha a cada cinco minutos, nem sonho mais com comida, nem vou dormir mais cedo hoje pro dia acabar mais rápido se tem lasagna ou strogonoff amanhã. Excelente!

Sabe que eu não odiei

Sabe que eu não odiei Pearl Harbor tanto assim? É verdade, é como um Independence Day 2 onde os ETs são japoneses, tem diálogos açucarados, tem discurso de presidente americano defendendo o orgulho nacional, tem tudo isso. Mas achei as imagens bonitas, mesmo sendo imagens de guerra. Efeitos de computação muito bonitos e na medida certa. Só que o danado do filme é looongo… Saí do cinema morrendo de vontade de fazer xixi (com Titanic foi a mesma coisa, horas no ar-condicionado vendo um filme com água pra tudo quanto é lado têm esse efeito colateral).

Ontem me deu uma Crise

Ontem me deu uma Crise Cultural. Passava perto do Theatro Municipal (acho ótimo esse ‘h’ no Theatro), que é a coisa mais linda do mundo, e o cartaz na frente me lembrou que a temporada do Megera Domada terminava nesse domingo. Pensei ‘hmmmm… bommmm…’, virei a esquina e comprei um ingresso – puro ímpeto. O cara da bilheteria: Quantos? Eu: Sou só eu mesma, moço.’ Ele ficou me olhando meio assim esquisito, mas eu voltei pra casa felicíssima com meu ingresso. Minha mãe, como não poderia deixar de ser, ficou me olhando horrorizada quando cheguei em casa. ‘Você vai se sentir mal, todo mundo acompanhado e você sozinha!’ Sorte dela que a faca de pão estava fora do meu alcance imediato.

Quando eu era pequena, não me lembro por meio de qual pistolão, a gente sempre tinha ingressos pra assistir aos balés no Municipal. Eu adorava; na época eu fazia ballet e achava aquilo tudo o ó. Minhas recordações daquele lugar são absolutamente maravilhosas :) Lembro do sanduíche de queijo com presunto que vinha numa caixinha branca de papelão, no Assirius, lembro daqueles mármores maravilhosos, lembro de ficar sempre perdida na hora de saber onde ia sentar, lembro do balcão de doces… E tem um cheiro também, que eu não sei explicar, e que é típico do Municipal, e que volta e meia me vem à memória. Eu não sou normalmente um ser muito olfativo, mas tem certos cheiros que eu não esqueço jamais.

A senhora sentada ao meu lado no Balcão Simples chupava aquelas balinhas de frutas esbranquiçadas por fora, que eu sempre pedia pra minha mãe comprar quando a gente ia lá. Fiquei sorrindo sozinha :)

Agora, o que realmente me irritou foi ver gente de calça jeans. Quequeísso, minha gente, aquilo é mármore de Carrara, como é que alguém tem coragem de pisar naquele lugar de calça jeans? Bando de hereges! Vai ser esculachado assim na Rua da Alfândega! Ô povinho bunda!