Ai, quanto tempo sem escrever!

Ai, quanto tempo sem escrever!

Essa semana foi marcada por uma coisa estranha: a Polacca Pazza nao foi à aula nenhum dia. Até os professores se perguntando onde ela estaria – afinal de contas, ela é UM SACO, mas faz parte da fauna da universidade.

Na quinta-feira depois do almoço fomos dançar na casa da Ria, a filipina. Ela estah num quarto duplo em um hotel com uma area verde grande grande. E como estah sozinha no quarto, foi soh tirar fora a cama e pronto. A Verinha, outra brasileira, levou um radio daqueles de baiano, umas fitas de musica brasileira, e a Carmen, peruana, umas fitas de salsa. Nos acompanhou a Susanne, que é daquelas suiças super timidas e caladas e calmas e de voz baixa e fina. Adivinhem: no final até ela tava rebolando. Dançamos forro, salsa, umas musicas latinas horrendas argentinas, suamos feito doidas (essa semana começou a esquentar forte), rimos muito muito muito. Mas pra farofar assim matamos aula de historia medieval e de exercitaçao de linguistica… A Ria, que é toda caxias e nao estah acostumada a matar aula, achou uma experiencia estimulante.

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Eu nunca pensei que ia dizer uma coisa do genero, mas, cara… AINDA BEM QUE ESQUENTOU! E esquentou feio, ontem tava um FORNO, um sol daqueles de praia no Rio. Perugia ontem foi a cidade mais quente da Italia. Hoje jah tah bem calor também, e ainda sao 9:30, no horario de verao. Mas é melhor assim. Mais um dia ventoso, frio e nublado, e eu me matava.

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Ontem fomos a um jantar gay. A irma do Mirco tem esses amigos viados, um dos quais leciona na universidade, e ontem fomos jantar num restaurante chines, os 3 viados e dois casais straight amigos, eu e Mirco. Ri tanto que minhas bochechas doiam! Um deles tinha estudado portugues em Lisboa, tentem imaginar um viado italiano falando portugues com sotaque de Lisboa, dentro de um restaurante chines. Eh demais pra mim *risos*. Quando eu chegar, me peçam pra imitar o professor universitario pedindo ravioli de camarao.

Depois fomos a uma festa numa casa na montanha aqui em Assis. Entende-se por que a correspondencia deles nao chega; as casas nao tem numero, as ruas ou nao tem nome ou tem dois ou tres nomes, é uma confusao dos diabos. Fora que soh tinha figura na festa. Um calor de matar, um vinho vagabunderrimo… Pelo menos nao saih fedendo a cigarro, porque era tudo aberto.

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Ontem cortei de novo o cabelo. Estou ainda mais linda.

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Infelizmente estou de volta dia 22. Minhas unicas aquisiçoes foram livros – e todos pra mim merma. O que significa ZERO presentinhos e souvenirs.

Sexta-feira fomos pra night de

Sexta-feira fomos pra night de Perugia. Dormi na casa da Iskra, uma bulgara que mora aqui do lado da Universidade. Chovia canivetes, e nos quatro (eu, Ria, Iskra e Silvio) plantados espremidos embaixo de 2 guarda-chuvas esperando em frente à Universidade pela Irena, uma holandesa, e um amigo grego da Iskra. Chegados os dois, fomos beber num bar de entrada absolutamente secreta, chamado Il Cavaliere, onde trabalha a Vera, outra brasileira que estuda com a gente. E consegui tomar uma (alias, duas) caipiroskas de limao verde! Ai que maravilha!

Da li fomos ao Domus, uma discoteca pequenininha, com tanta fumaça que meus olhos ardiam. Mas de qualquer maneira dançamos pra caramba, o Silvio que o diga, rimos muito, nos divertimos horrores.

Soh que no dia seguinte tive que lavar até a minha mochila, porque a Iskra fuma dois maços por dia e tudo na casa dela fede a cigarro. Mas é um detalhe.

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Ontem à noite, depois de terminar uma traduçao muito da chatinha, fomos ao cinema, eu e Mirco, Ria e Silvio. Vimos Italiano per Principianti, um filme dinamarques meio estranho mas gostosinho. Depois fomos jantar num restaurante chines. E depois casa e caminha, porque hoje é segunda-feira, né.

Muito bem, eu consegui ao

Muito bem, eu consegui ao mermo tempo botar fotos enormes e cagar todo o texto, que ficou centralizado. Isso é que dah ser INGUINORANTE em html. Quem souber dizer onde foi que eu errei, por favor, sinta-se à vontade.

Essa aih embaixo, claro, sou

Essa aih embaixo, claro, sou eu, em Spello, no fim de semana passado. Tudo bem que a foto ficou escura, e enorme, e mal escaneada, mas voces sabem que eu sou meio mongoloide, computadorizamente falando, entao sejam bonzinhos.

Jah essa outra foto faz parte da campanha Eu também conheço o Hiro. Soh que o meu slogan é: Nem todo mundo conhece ESSE Hiro :)

Na minha turma tem uma

Na minha turma tem uma polonesa maluca (a famosa Polacca Pazza), da qual eu ainda nao falei, nao sei por que (bota um circunflexo no e), jah que ela me irrita muitissimo e suas performances jah viraram atraçao em casa. Se trata de uma senhora de idade, loura, alta, macérrima, de olhos azuis esbugalhados, sem a metade direita dos dentes superiores, que fala sozinha e muda de lugar a cada 5 minutos. Ela também tem o habito de perguntar as coisas e nao dar tempo pro outro responder, e de interromper as pessoas, e de interromper a aula. Alguns exemplos de seus espetaculos:

*Na aula de literatura contemporanea. Durante esses ultimos dois meses vamos analisar um livro (aquele, La Coscienza di Zeno. Por falar nisso, estou lendo Il Piacere (o prazer), de Gabriele D’Annunzio). No meio de uma aula, de uma discussao sobre o papel da psicanalise no livro, tem inicio o seguinte dialogo (ou tentativa de):
(Polacca Pazza): Todo dia nos escutamos as mesmas frases, nao é possivel fazer aula assim, este nao é um método escolastico, estamos aqui (reparar no uso da primeira pessoa do plural, isso vindo de uma pessoa que estah sempre sozinha porque é doida varrida) na Universidade pra Estrangeiros de Perugia pra estudar, estamos pagando, assim nao é possivel.
(Professor, palido mas muito profissional): Senhora, antes de iniciar o programa eu conversei com a turma e todos concordaram que seria interesasnte trabalhar desta maneira. E a analise monografica é um sistema muito escolas…
(Polacca Pazza, que nao tinha calado a boca quando ele começou a falar e aqui começou a levantar a voz): … Eu nao sei por que mudaram de professor, eu preferia muito mais o outro.
[Silencio]
(Professor): Senhora…
(Polacca Pazza): … Nos estamos pagando para aprender literatura italiana, que é muito interessante, isso nao é um consultorio de psicanalise, o senhor esta errado, este nao é um método correto de ensino.

A loucura continuou por 15 minutos. Nao tivemos intervalo, e no final da aula, quando bateu o sinal, ela falou bem alto, ‘Jah bateu o sinal’, levantou e saiu, sempre muito barulhenta.

*Ontem, ainda na aula de literatura contemporanea. Uma aluna tinha feito, a pedido do professor, uma lista com os nomes dos alunos que vao fazer a prova, que é oral e dura 20 minutos. Depois ele pensou melhor e pediu à aluna que refizesse a lista com intervalos de 15 minutos, porque um teste de 20 minutos seria muito longo. A aluna obedeceu. A Maluca arrancou a folha da mao da garota, se sentou (sempre muito barulhenta) e começou:
– Eu gostaria que voces vissem o que foi feito aqui, estao mudando tudo, cada dia mudam uma coisa aui na Universidade pra Estrangeiros de Perugia, isso é uma falta de honestidade, se essa senhorita quer mudar o horario nao pode fazer essas coisas sem avisar às pessoas, isso é falta de sinceridade, eu marquei um horario para as 3 e meia e nao para as 3, isso é um absurdo, etc etc.

Depois:
– Qual é o capitulo ao qual o senhor estah se referindo?
(Professor): O capitulo se chama ‘La storia del mio matrimonio’, senhora.
Depois de 1 minuto:
– Qual é o capitulo?
(Professor): La storia del mio matrimonio, senhora.
Depois de 2 minutos:
– Mas qual é o capitulo? Eu fiz uma pergunta e estou esperando uma resposta, o senhor até agora nao me respondeu.
Nesse momento uma alema, acho, sentada na frente dela grunhiu, entredentes:
– CINCO!
(Pazza): – Agora estamos falando com precisao. Obrigada.

* Hoje, durante a aula de fonetica. No intervalo todo mundo aproveita pra comer alguma coisa, porque estamos desde as 8 em sala de aula. Eu tinha acabado de comer uma maça e tava batendo papo com a Ria. Entra a maluca:
– Voce estah fazendo tudo errado, isso aqui nao é a Mensa Universitaria (o bandejao), nao se pode comer em sala de aula.
(eu): Isso aqui também nao é um hospital psiquiatrico, e no entanto…

Ela obviamente nao me ouviu, porque simplesmente nao processa nada do que escuta.

*Ainda hoje, enquanto eu batia papo com a Ria antes do laboratorio de fonologia. Ela interrompe:
– Voce fala brasileiro?
(eu) Sim. (continuo a conversar com a Ria)
– Voce é médica de que tipo?
(eu) De nenhum tipo, nao me especializei. (continuo a conversar com a Ria)
– Eu perguntei porque voce comentou isso na sala de aula uma vez, e as pessoas pensam que a gente esquece, mas de certas frases a gente se lembra, eu me lembro muito bem, estou soh perguntando, porque escutei voce falando isso na sala, e queria saber, porque eu me lembro das frases que voce falou.
(eu) Senhora, mas se a senhora nao me dah espaço pra responder, por que é que me perguntou? (ao que fui plenamente ignorada, jah que ela continuava falando sem parar).
(Pazza): Muito bem, ci vediamo. (a gente se ve)
(eu): Espero que nao.

Quando eu voltar, peçam pra eu fazer a mimica. Perde metade da graça sem a mimica.