nega do cabelo duro

Ontem fui relaxar os cabelos em Perugia. Aproveitei pra cortar também. Agora a casa inteira tá fedendo a soda cáustica.

Aqui os salões de beleza são completamente diferentes dos nossos. Não tem essa de cada cliente ser seguida por um profissional: todo mundo faz tudo. Hoje quatro pessoas diferentes mexeram no meu cabelo. Ninguém se veste de branco nem usa avental. As duas sócias desse salão dividem o tempo entre varrer o cabelo do chão, atender o telefone, cortar cabelo e fazer escova nas clientes, fumar, trazer salgadinho da padaria da esquina pras ajudantes. Não há manicures nem depiladoras especializadas e essas atividades são as menos populares do salão. Ninguém te traz água mineral nem cafezinho.

Essa minha cabeleireira, a Giuliana, foi uma descoberta e tanto, por dois motivos: ela não enche meu saco perguntando coisas da minha vida e contando coisas da vida dos outros, e faz exatamente e exclusivamente o que eu digo a ela pra fazer. Se eu digo que não é pra fazer assim mas assado, ela faz assado, sem lenga-lenga. E ainda por cima lembra do meu nome e do corte que eu gosto. E olha que eu só vou lá de três em três meses – tem quase dois anos, tudo bem, mas elas têm tanta cliente que eu fico admirada dela lembrar de mim. A mulher é profissional pra caramba. É a Madonna dos salões de beleza.

Saio sempre satisfeita depois de pagar os 36 euros de sempre, pelo relaxamento, bálsamo e corte. O fedor de soda cáustica vem de brinde.