O ser humano é uma

O ser humano é uma bosta mermo, né. Fui ao cinema hoje, com meu irmão, ver A.I. Lógico que, independente do feriado, tava super cheio. Chegamos cedo, compramos logo o ingresso e fomos ao McDonald’s, coisa básica. Quando voltamos já tinha bastante gente sentada. Obviamente, não queríamos sentar lá no gargarejo, e nem lá atrás; achamos dois lugares na fileira do meio, separados um do outro por uma mulher que estava sozinha. Perguntei delicadamente se ela se incomodaria em pular uma cadeira, pra que eu e Tuco pudéssemos sentar juntos (coisa mais natural do mundo, que todo mundo faz o tempo todo). Ela apontou pra cadeira da frente e falou, muito secamente “Não. Cheguei cedo pra escolher lugar, não tem ninguém na minha frente, não vou ceder esse lugar.” O irritômetro começou então a rodar: “Não sei se você percebeu, mas é ÓBVIO que vai acabar sentando alguém na sua frente, a sessão vai lotar.” A feiuda continua, teimosa: “Brasileiro tem mania dessas coisas… Chega e acha que pode tudo…” O irritômetro continua: “Vem cá, custa alguma coisa você pular uma cadeira? Vai sentar alguém na sua frente de qualquer maneira, tomara que seja uma mulher com um penteado bem alto, que nem aquelas do B-52’s.” É óbvio que ela não saiu, e eu e meu irmão pulamos uma fileira, onde eu não tinha visto que tinha lugar. Do meu lado, um rapaz pediu pra guardar lugares pra ele, porque seus acompanhantes estavam lá fora esperando ingresso. É claro que fiz o favor, afinal não me custava coisa alguma. Depois, durante os trailers, a namorada e o cunhado já sentados ao lado do rapaz, ele me viu tentando telefonar pra casa, sem conseguir, e me ofereceu o celular dele – quebrou um SUPER galho, ele nem imagina o quanto. Não é muito mais fácil viver assim, educadamente, simpaticamente? Não é à toa que a feiuda estava sozinha; quem atura uma idiota dessas?

Tudo ia indo muito bem, até que um cara super largo, duas fileiras à frente, se ajeita na cadeira e pronto, fica lá aquele topo da cabeça dele cutucando a parte de baixo da tela, dando aquela irritação suave mas constante, que nem coceira na sola do pé. Caramba, será que os ingressos de cinema agora têm que ter instruções, “Não deixe seus ombros passarem do nível do encosto, ou incomodará quem está atrás de você”? Custa ter um mínimo de bom senso? Que nem gente que fica parado na esquerda, na escada rolante do metrô. Cheio de aviso colado no corrimão, “Mantenha-se à direita”, mas cadê que o povo lê ou presta atenção? Eu agora, mesmo quando não estou com pressa, dou uma de rolo compressor: vou pela esquerda, subindo os degraus correndo, dando cotovelada em todo mundo que está na esquerda, e resmungando “Fica na direita, porra!”

Preciso explicar por que nunca tive namorado?