Eu sempre soube que era

Eu sempre soube que era velha de espírito, mas de vez em quando ainda me surpreendo… Eu adoro bater papo com velho; na época do ambulatório de Endocrinologia quase apanhava do professor porque em vez de examinar ficava ouvindo histórias e trocando receitas de pavê, mas eu sempre acabo aprendendo alguma coisa interessante, velho tem tanta coisa legal pra contar. Hoje fui a Teresópolis, na casa de um antigo vizinho da família (da época em que minha mãe era pequena e morava no *ui* Rocha) – a mãe dele fez 90 anos hoje. Repito: uma feijoada de aniversário em que a aniversariante tem 90 anos, o que significa que a média de idade da galera tinha que ser medida através de carbono 14. Mas tudo bem, lá fui eu, de van (coisa bem pimba – confortável, mas pimba), com aquele bando de fósseis ao meu redor. Chego lá, mais fósseis, tudo gente de Neanderthal – mas sabe que eu me diverti? Eu sou muito falante, matraca mermo, mas com velho eu tendo a ficar quieta e só escutar, e sempre me divirto ou aprendo alguma coisa, ou ambos :) Ainda por cima tinha a neta do dono da casa, uma figurinha de 4 anos de idade – eu perguntei se ela sabia contar histórias, ela disse que não, mas que sabia amarrar, e aí estendeu a perna pra mim, desfez o laço do tênis e amarrou de novo, toda orgulhosa :)

Normalmente não me incomodo de ser velha assim, mas tem vezes que eu me sinto tão alienígena! Nenhuma amiga minha, eu acho, agüentaria uma tarde museológica como a que eu passei hoje. Pô, acho que eu sou mais estranha do que eu achava.