Arquivo de julho de 2009

rio

sexta-feira, 24 de julho de 2009

É muito estranho estar aqui por todo esse tempo. Desde que fui morar no Malawi nunca vim pro Rio por mais de duas semanas, o que significa que as minhas vindas assumiam um caráter entre o turístico, porque o Mirco vinha sempre comigo, e o quase-business, já que tinha que resolver ene coisas.

Dessa vez em entrei, dentro do possível com trabalho e Carol ao mesmo tempo, numa espécie de rotina carioca. Um lance muito bizarro. Praticamente me catapultei de um planeta pra outro, já que a minha (provisória) vida aqui é diametralmente oposta à minha vida no interior do Butão. A essa altura do campeonato, já sei do que vou sentir falta quando voltar pro interior da Suazilândia: o queijo Minas Solidão comprado no Zona Sul, o pão de queijo da Eldorado, os pães da Nutrella de 35 kcal por fatia, as pessoas de legging e tênis direto andando na rua sem maquiagem, a cabeçada everywhere (eu adoro cidade grande, calçadas cheias, fauna variada, essas coisas), táxi que você faz sinal no meio da rua e ele pára (Bastia não tem táxi, lógico), o sotaque carioca, a Lagoa, que é um desbunde imoral de tão desbundante, os trocentos salões de beleza com manicures ótimas, a escova progressiva, os passeadores de cachorro, o cinema legendado, o milk-shake de Ovomaltine do Bob’s, os restaurantes e farmácias que entregam em casa, o porteiro que leva as sacolas de compras até o elevador, as janelas que podem ficar eternamente abertas all year round, o gosto particular da água de filtro de barro, as notícias dadas na minha língua, o comércio aberto direto sem pausa pro almoço, a sala bem grande aqui de casa, a feira da Nossa Senhora da Paz, as Lojas Americanas (adoro), a luz. E isso porque eu nem fui à Cidade ainda. Não vou sentir falta da sujeira nas ruas, desse povo feio pra cacete, das vinte vendedoras por loja, paradas em pé feito um exército de dois de paus esperando cliente, das novelas cada vez mais pavorosas, do Sarney, do trânsito e da dificuldade de parar o carro, de shopping que cobra estacionamento, da mendigada, da ladeira ridícula aqui de casa que é um martírio pra subir com carrinho de neném, das coisas todas caríssimas, da mania chata que carioca tem de buzinar O TEMPO TODO, do prédio de odiosos novos ricos aqui atrás que gargalham a trocentos decibéis a madrugada toda, do caminho casa-aeroporto-casa, da parte velha do Galeão que chega a dar ânsia de vômito de tão feia, de ovo de codorna. Entre outras coisas.

Notem que nem estou considerando a parte social porque aí já seria sacanagem; TODO MUNDO que eu conheço aqui é mais interessante do que as pessoas que conheço no interior do Burundi. Vou sentir tanta falta de conversas interessantes que estou tentando não pensar no assunto pra não me deprimir.

Por outro lado, enquanto estou aqui sinto falta da pizzinha semanal no Penny Lane, do Legolas, de poder ir pra tudo que é lugar perto de casa a pé sem ter que encarar ladeira na volta, de poder deixar o carro aberto e ligado enquanto desço rapidinho pra tirar dinheiro no caixa eletrônico, da minha garagem eLorme onde tudo cabe, da minha televisão na sala, das minhas plantinhas queridas, do macarrão da Arianna aos domingos, dos meus armários novos, dos mil tipos de queijos, das minhas roupas de inverno, da Benetton, do Ipercoop que tem tudo, de morar no primeiro andar, de não pegar trânsito praticamente nunca, de falar italiano, da minha poltrona Poang maravilhosa, da minha cozinha sensacional. Entre outras coisas.

Enfim, vida de expat é boa, mas é uma merda.

rio

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cheguei no começo de junho. A viagem de avião com a Carol foi light à beça; ela é muito tranqüila e dormiu o vôo todo apertadinha no sling no meu peito e não encheu nem se encheu. A escala em Paris foi curta, ela mamou normalmente, tudo correu muito bem. Mirco ficou uma semana e depois foi embora; eu fiquei, teoricamente, pra dar uma descansada, conseguir fazer ginástica e emagrecer, e pra introduzir a Carol ao maravilhoso mundo das sopinhas. Ficamos até 15 de agosto.

Sim, a Carol foi introduzida ao maravilhoso mundo das sopinhas, e está amando tudo. O problema é que estamos fazendo mais sopinhas (ou papinhas, como quiserem) à base de inhame, cará, aipim, bertalha, couve, batata-baroa… Coisas, digamos assim, ligeiramente pouco européias. O mesmo com as frutas: ela delira mesmo é com banana e abacate (se bem que também é louca por pera), que até se encontram na Itália mas são uma bela merda. Então vamos ter que começar a dar uma acalmada com as coisas tropicais e tentar introduzir coisas mais de hemisfério norte pra ela poder ter o que comer quando voltar pra Itália.

Sim, estou conseguindo emagrecer, mas muito pouco. Não, não consegui relaxar. Nada. Porque, sendo uma imbecil, aceitei uns trabalhos gigantescos e infinitamente chatos que arruinaram o meu mês de junho inteirinho. E como Murphy é Murphy, a Carol voltou a acordar de madrugada pra mamar, o que estava me deixando um bagaço durante o dia, tendo que trabalhar. Em junho não malhei absolutamente nada. Agora ela voltou ao seu ritmo anterior e aparentemente parou de acordar de madrugada; não tenho mais trabalhos gigantes e estou conseguindo malhar um pouco. Mas, sendo uma idiota, não fui ao Vigilantes logo de cara, que era o que eu deveria ter feito, e agora estou aqui, toda atolada em contagens malucas de calorias. Estou doida pro meu bodybugg chegar logo pra facilitar as coisas.

O estresse do mês de junho foi tanto que eu consegui perder, logo na primeira semana, as seguintes coisas:

- 1 tubo de pasta de dentes
- 1 chaveiro com a chave de casa aqui da minha mãe
- 1 folha de papel preciosa com anotações de vocabulário do trabalho maldito infinitamente chato e longo
- O cartão de banco do Mirco que ele sempre deixa comigo pro caso de emergências.

Hoje, depois de deixar a Carol sozinha no berço rolando até dormir, resolvi dar uma arrumada geral nas tralhas. Encontrei tudo, menos a pasta de dentes, que parece que desapareceu mesmo. O chaveiro estava na maleta do laptop, em um bolso nunca antes utilizado. A folha de papel eu devo ter jogado fora sem querer, mas também agora não importa mais. O cartão do Mirco estava dentro da minha carteira que nunca sai de casa; como é o mesmo banco onde eu tenho conta, eu olhava praquele cartão e achava que era meu (sendo que o meu estava imediatamente ao lado). Enfim: estresse é uma coisa que eu não recomendo, sabe.

De resto, tudo OK. A Carol está achando tudo ótimo, adora passear em Ipanema, dorme no carrinho no meio da feira da N. Sra. da Paz, brinca com todo mundo, está compridona perdendo roupas e com o cabelo ridiculamente imenso tipo algodão-doce. Está quase sentando. Ri o tempo todo e, superada a fase do “anguuuuuuu anguuuuu”, deu pra gritar feito uma maritaca, o dia inteiro. Enfim, tudo nos conformes, fora o Skype, que anda uma merda, deixando o Mirco muito puto da vida.

Tirei o final da tarde de hoje pra ir colocando as coisas na mala – os zilhões de presentes que a Carolina ganhou, os seis pares de sapato e dois de botas que comprei, essas coisas – e fui escrevendo um post gigante na cabeça, mas agora estou com preguiça. Amanhã, se der, escrevo mais. Tenho outro trabalho pra entregar na terça e PRECISO malhar; todo o resto (pós-Carol, lógico) fica em segundo plano, inclusive a vida social.

pra rir um tiquinho

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Hohohoho : )